Fim da destruição de roupa não vendida: oportunidade para Portugal

A partir de 19 de julho, as grandes empresas europeias estão proibidas de destruir vestuário, acessórios e calçado não vendidos, conforme estipulado pelo novo Regulamento Europeu do Ecodesign para Produtos Sustentáveis (ESPR). Esta medida visa reduzir o desperdício e promover a economia circular, mas também é vista como uma oportunidade para a indústria portuguesa, que poderá beneficiar de um modelo de produção mais próximo e flexível.

Segundo a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), o impacto direto na indústria nacional deverá ser limitado, uma vez que muitas empresas portuguesas produzem por encomenda para marcas internacionais e não gerem diretamente o produto final. A ATP sublinha que a nova legislação afetará mais as grandes marcas e retalhistas, que lidam com o stock e o risco comercial dos produtos não vendidos.

No entanto, a ATP acredita que a proibição da destruição de roupa poderá trazer efeitos indiretos positivos. A necessidade de um melhor planeamento das coleções e a redução de excedentes podem favorecer fornecedores que produzem em séries mais curtas e que se adaptam rapidamente às necessidades do mercado. “Portugal poderá beneficiar da sua proximidade aos mercados europeus e da flexibilidade produtiva que caracteriza a sua indústria”, afirma a associação.

A nova legislação aplica-se, inicialmente, às grandes empresas que operam no mercado europeu. Micro e pequenas empresas estão isentas, enquanto as de média dimensão só serão abrangidas a partir de 2030. Além da proibição da destruição, as empresas terão novas obrigações de reporte e transparência na gestão dos seus excedentes. A fiscalização ficará a cargo da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), que deverá garantir que os produtos não vendidos sejam doados em vez de destruídos.

Luís Onofre, presidente da Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado (APICCAPS), considera que esta medida representa uma oportunidade para a produção nacional. “Ao obrigar as marcas a gerir melhor os stocks, reforça-se a importância de cadeias de abastecimento mais próximas e ágeis”, afirma. Onofre destaca que Portugal tem-se afirmado como um parceiro estratégico das grandes marcas internacionais, devido à sua capacidade de produzir com qualidade e rapidez.

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No retalho, empresas como o El Corte Inglés afirmam que a nova proibição não mudará a sua forma de gerir produtos não vendidos. A empresa já implementa estratégias para a valorização de produtos e prevenção do desperdício, através de campanhas promocionais e doações. Nicholas Lambert, da Primark, também destaca que a empresa está preparada para a nova legislação e apoia medidas que promovam uma economia circular.

Por outro lado, César Araújo, presidente da Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção (ANIVEC), alerta que a legislação deveria aplicar-se a todas as empresas, não apenas às maiores. Ele teme que algumas empresas possam criar pequenas entidades para evitar as novas regras, embora reconheça que a medida pode trazer benefícios ao setor.

O novo regulamento visa, essencialmente, reduzir a destruição de produtos novos que nunca chegam aos consumidores. Estima-se que entre 4% e 9% dos têxteis no mercado europeu sejam destruídos antes de serem utilizados, resultando em milhões de toneladas de emissões poluentes anualmente. A legislação pretende, assim, desincentivar a sobreprodução e promover a reutilização antes da reciclagem.

Leia também: O impacto da nova legislação na indústria da moda em Portugal.

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Fonte: ECO

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