A Mulemba Re, a primeira resseguradora nacional de Angola, marca um passo histórico para o mercado segurador do país. Com um capital social de 15 mil milhões de kwanzas, cerca de 14,3 milhões de euros, a nova companhia surge com o objetivo de aumentar a retenção de prémios de resseguro, reduzir a saída de divisas e reforçar a capacidade das seguradoras locais para enfrentar riscos mais elevados. A designação “Mulemba” é inspirada numa árvore autóctone de grande porte, símbolo da riqueza natural de Angola.
Carlos Duarte assume a presidência da Mulemba Re, que integra 12 companhias de seguros e o Fundo Soberano de Angola. O licenciamento da empresa, anunciado pela Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG), coloca Angola ao lado de outros mercados africanos que, nas últimas décadas, têm desenvolvido resseguradores nacionais para fortalecer a sua indústria seguradora.
A Mulemba Re é detida por 13 acionistas, dos quais 12 seguradoras angolanas controlam 80% do capital. Entre elas estão a ENSA, Nossa Seguros, Fortaleza, BIC Seguros, Fidelidade Angola, Sanlam Allianz, Viva Seguros, Mundial, Unisaúde, Aliança, STAS e Tranquilidade Angola. Os restantes 20% pertencem ao Fundo Soberano de Angola. A liderança da companhia ficará a cargo de Paulo Bracons, ex-CEO da Fortaleza e de uma seguradora do grupo Sanlam, enquanto Carlos Duarte presidirá o Conselho de Administração, trazendo consigo uma vasta experiência no setor.
A principal expectativa em torno da Mulemba Re é o aumento da capacidade de retenção de riscos em Angola. Atualmente, uma parte significativa dos prémios de resseguro gerados pelas seguradoras angolanas é colocada em grandes grupos internacionais, como Munich Re e Swiss Re. Com a entrada da Mulemba Re, espera-se que a saída de divisas diminua, aumentando a estabilidade financeira do setor segurador local.
Além disso, a presença de uma resseguradora local deverá promover o desenvolvimento de competências técnicas em áreas essenciais, como atuariado, modelação de riscos e gestão de sinistros. A Mulemba Re também pretende reforçar a cobertura de grandes riscos associados a setores estratégicos da economia angolana, como petróleo, gás e mineração.
Apesar da importância da Mulemba Re, a empresa enfrentará a concorrência de resseguradores africanos já estabelecidos, como a Africa Re, a maior resseguradora pan-africana, e a ZEP-RE, que desempenha um papel crucial na retenção de riscos na África Oriental e Austral. A Continental Re e a WAICA Re também são exemplos de operadores que têm contribuído para o desenvolvimento dos seus mercados.
Os desafios não são poucos. Para se afirmar no setor, a Mulemba Re precisará de ganhar dimensão e obter classificações de risco de agências internacionais, aumentando assim a sua credibilidade. A diversificação geográfica da carteira será igualmente fundamental, uma vez que a atividade inicial estará concentrada em Angola, ao contrário dos grandes operadores internacionais que distribuem riscos por vários mercados.
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Fonte: ECO





