IBM perde um quarto do valor em bolsa após falhas no mercado

A IBM sofreu uma queda acentuada de mais de 25% no seu valor em bolsa, resultado de uma falha na leitura do mercado. Após um primeiro trimestre promissor, em que as receitas cresceram 9%, com aumentos de 11% no setor de software e 15% nas infraestruturas, a empresa enfrentou uma quebra significativa no trimestre seguinte. Embora as vendas de software tenham aumentado 5%, o setor de consultoria estagnou e as infraestruturas recuaram 7%.

A procura por soluções de inteligência artificial não desapareceu, mas mudou de direção. Os orçamentos para tecnologias de informação (IT) são limitados, e os clientes anteciparam compras de servidores e capacidade de armazenamento, temendo restrições de oferta e aumentos de preços. Como resultado, os investimentos em mainframes, software e serviços foram adiados.

O alerta da IBM sobre resultados abaixo das expectativas foi divulgado esta semana. Os dados definitivos do segundo trimestre serão apresentados a 22 de julho. A empresa agora projeta receitas de 17,2 mil milhões de dólares (15,1 mil milhões de euros), um aumento de 1% em relação ao ano anterior, mas abaixo dos 17,86 mil milhões de dólares (15,6 mil milhões de euros) esperados.

Arvind Krishna, CEO da IBM, assumiu a responsabilidade pela situação, afirmando que a empresa não se adaptou nem agiu com a rapidez necessária, resultando em vários negócios de grande dimensão não concluídos nos prazos previstos. Krishna também mencionou que, embora esperasse algum impacto nas cadeias de abastecimento, não previu a magnitude da transferência de investimento para hardware nem a atenção exigida pelas ameaças de cibersegurança.

No ano passado, a faturação da IBM cresceu 7,6%, totalizando 67,5 mil milhões de dólares (cerca de 59,2 mil milhões de euros), com o setor de software a crescer 10,6%, representando cerca de 45% do negócio. O cash-flow aumentou 15,7%, alcançando 14,7 mil milhões de dólares (12,9 mil milhões de euros), o valor mais alto em mais de uma década.

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Apesar das dificuldades, a valorização bolsista da IBM foi robusta, com as ações a subirem 34,7% ao longo do ano, superando o desempenho do S&P 500. No entanto, após o aviso de incumprimento de objetivos, as ações caíram 12,7% antes do anúncio e, na primeira sessão seguinte, desvalorizaram 25,2%, seguidas de outras quedas, totalizando uma descida acumulada de 29% no ano.

A queda das ações da IBM teve um efeito dominó, afetando outras empresas do setor, como ServiceNow, Salesforce, Microsoft e Intuit, que desvalorizaram entre 2% e 5%. Outras empresas, como Workday, Accenture e Adobe, também sentiram a pressão.

Apesar da queda, a transformação da IBM continua. A aquisição da Red Hat, uma empresa de software empresarial de código aberto, por 34 mil milhões de dólares (29,7 mil milhões de euros) em 2019, colocou a nuvem híbrida no centro da sua estratégia. A IBM agora se posiciona como uma fornecedora de software, nuvem híbrida, inteligência artificial e serviços, focando na integração de sistemas próprios e na manutenção de aplicações críticas.

A empresa terá agora de articular a evolução dos seus diferentes negócios a ritmos variados e compreender como a disponibilidade dos clientes se alterou. Leia também: O impacto da inteligência artificial nas empresas.

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Fonte: Sapo

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