Mudanças no exército ucraniano após demissão do ministro da Defesa

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, indicou que poderão ocorrer mudanças significativas no exército ucraniano, numa altura em que se realizam manifestações contra a demissão do ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov. Este é o terceiro dia consecutivo de protestos, refletindo a popularidade de Fedorov entre a população e os aliados ocidentais.

Mykhailo Fedorov, conhecido por promover o uso de altas tecnologias nas operações militares, anunciou a sua saída do cargo na quarta-feira, apenas seis meses após ter assumido a liderança do Ministério da Defesa. A sua demissão surge após um conflito com o comandante-chefe do exército ucraniano, Oleksandr Syrsky, que defende uma abordagem mais tradicional nas operações militares.

Zelensky, que se reuniu com altos responsáveis militares durante dois dias, afirmou que “serão tomadas decisões relativamente ao exército”. Durante o seu discurso diário, o Presidente sublinhou que está atento às preocupações da população e que teve conversas com ambos os envolvidos, Fedorov e Syrsky.

Em Kyiv, os manifestantes expressaram a sua insatisfação, aplaudindo e entoando palavras de ordem como “vergonha” e “Fedorov”. Na sua primeira reação às manifestações, Fedorov agradeceu o apoio da população através do Telegram, afirmando que “o diálogo está em curso” e que acredita que a situação se resolverá.

Além de Kyiv, foram anunciados comícios em outras grandes cidades ucranianas, onde os manifestantes exigem também a demissão de Oleksandr Syrsky. A tensão entre Fedorov e Syrsky surgiu devido a divergências sobre a estratégia a adotar na luta contra a invasão russa, o que levanta questões sobre a coesão do comando militar.

Zelensky não forneceu muitos detalhes sobre a sua decisão de substituir Fedorov, mas enfatizou a importância de manter a “unidade” nas forças armadas durante este período crítico. A substituição de Fedorov foi feita interinamente por Yevhen Khmara, um responsável dos serviços de segurança ucranianos (SBU), que é relativamente desconhecido no panorama político.

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O Parlamento ucraniano terá de aprovar estas mudanças, mas ainda não foi marcada uma sessão para discutir o assunto. A saída de Fedorov também revela divisões dentro da hierarquia militar, mais de quatro anos após o início da invasão russa. A situação continua a evoluir, e as reações da população e do governo serão cruciais para o futuro do exército ucraniano.

Leia também: O impacto das mudanças políticas na defesa da Ucrânia.

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Fonte: Sapo

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