No primeiro dia da 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior público, apenas 304 alunos apresentaram candidaturas. Este número é alarmantemente baixo, especialmente quando comparado com os mais de 10 mil registos no mesmo período do ano passado. A redução nas candidaturas ao ensino superior pode estar relacionada com as incertezas que muitos estudantes ainda enfrentam em relação às suas notas, especialmente após as falhas na classificação digital.
Nos últimos dias, o processo de classificação das provas tem estado envolto em polémica. O ministro da Educação, Fernando Alexandre, admitiu publicamente que houve casos de alterações nas notas devido a erros no processo de avaliação. Além disso, as pautas foram afixadas com erros, levando a classificações em suspenso ou incorretas, o que gerou desconfiança entre os alunos.
A Federação Académica de Lisboa (FAL) expressou a sua preocupação com as “potenciais implicações” que estes problemas podem ter no acesso ao ensino superior. As associações de estudantes do ensino básico e secundário também manifestaram a sua desconfiança, afirmando que muitos alunos não têm a certeza se precisarão de se candidatar à 2.ª fase.
Em resposta a estas preocupações, o Ministério da Educação lembrou que os alunos que solicitarem a reapreciação das provas da 1.ª fase poderão utilizá-las na candidatura ao ensino superior, mesmo após o término do prazo de candidatura, que se encerra a 5 de agosto. Este procedimento está previsto no Regulamento do Concurso Nacional de Acesso e Ingresso no Ensino Superior Público para o ano letivo de 2026-2027.
O regulamento estipula que, em casos de alteração de classificação, os alunos têm até três dias após a divulgação das notas para apresentar ou alterar a sua candidatura. Apesar dos problemas no processo de classificação e dos atrasos na divulgação das notas, o Ministério decidiu manter os calendários do concurso nacional de acesso, que termina a 6 de agosto, bem como os da segunda fase dos exames.
Os estudantes que se sintam prejudicados têm a opção de realizar exames numa época especial em setembro, o que lhes permitirá concorrer ao ensino superior na segunda fase. Este ano, pela primeira vez, cerca de 300 mil exames nacionais do ensino secundário foram avaliados em formato digital, mas o processo foi marcado por várias falhas técnicas. As pautas começaram a ser afixadas apenas na sexta-feira à noite, e inicialmente sem todas as classificações.
O concurso nacional de acesso ao ensino superior oferece este ano 56.790 vagas, um aumento de 834 em relação ao ano anterior, através do regime geral de acesso. A situação atual levanta questões sobre a confiança dos alunos no sistema e o impacto que isso poderá ter nas suas decisões futuras.
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Fonte: Sapo





