Portugal tem-se afirmado como um dos destinos que mais beneficia da redistribuição dos fluxos turísticos resultante da instabilidade no Golfo Pérsico. Um estudo recente da consultora McKinsey, intitulado “Como o conflito no Golfo está a redesenhar o mapa das viagens globais”, revela que o país registou aumentos significativos na ocupação hoteleira, especialmente no Algarve, Porto e Alentejo. Entre março e abril de 2026, a ocupação no Algarve subiu 5,7 pontos percentuais, no Porto 3,3 pontos e no Alentejo 2,7 pontos, comparando com o mesmo período do ano anterior.
O estudo baseia-se em inquéritos realizados a 1.050 pessoas nos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, que demonstram uma mudança nas preferências dos viajantes. A instabilidade geopolítica tem levado muitos a reavaliar os seus destinos, optando por mercados alternativos mais próximos. Espanha e Marrocos também se destacam, com aumentos de 9,9 pontos em Tânger e 8 pontos em Alicante.
Apesar da incerteza, a procura por viagens mantém-se resiliente. Um inquérito a consumidores italianos revelou que 74% pretendem viajar no verão de 2026, embora 63% ainda não tenham feito reservas. A segurança tem-se tornado um fator crucial na escolha dos destinos, com 60% a 70% dos inquiridos a ajustarem os seus planos devido à situação no Médio Oriente.
A reorganização dos fluxos turísticos é particularmente visível na aviação, onde o número de passageiros internacionais nos principais aeroportos do Médio Oriente caiu cerca de 5,1 milhões entre março e abril de 2026, representando uma quebra de 53%. Este cenário tem levado tanto companhias aéreas como passageiros a optar por rotas alternativas e ligações diretas.
A McKinsey também alerta que a instabilidade geopolítica está a pressionar os custos operacionais das transportadoras aéreas, devido a restrições de espaço aéreo e ao aumento dos preços dos combustíveis. Num cenário hipotético, os custos de um voo entre Londres e Bombaim poderiam aumentar até 63%, refletindo-se também nos preços dos bilhetes.
Os mercados mais afetados pelo conflito têm enfrentado quedas acentuadas na atividade turística. Por exemplo, a receita hoteleira no Dubai caiu 75% entre março e abril, resultando numa perda de 1,8 mil milhões de dólares. Abu Dhabi, Qatar e Riade também registaram quedas significativas.
A análise da McKinsey sublinha a importância da conectividade aérea para a competitividade dos destinos. A presença de voos diretos é um dos fatores que mais influencia a atração de turistas internacionais. Assim, a redistribuição dos fluxos turísticos pode representar uma oportunidade para Portugal, que se posiciona como uma alternativa viável em tempos de incerteza.
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fluxos turísticos fluxos turísticos Nota: análise relacionada com fluxos turísticos.
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Fonte: ECO





