A Polícia Judiciária (PJ) celebrou um total de 17 contratos com a empresa Construbarcelos, que soma mais de 2,2 milhões de euros. Esta empresa é liderada por João Carvalho, amigo do ministro da Administração Interna, Luís Neves. A informação foi avançada pelo jornal Observador, que destaca que apenas três destes contratos foram adjudicados através de procedimentos concorrenciais. Os restantes foram realizados por contratação direta ou ajuste direto.
A PJ defende que não existem irregularidades nos processos de contratação, afirmando que os trabalhos adicionais surgiram de necessidades identificadas durante a execução dos projetos. No entanto, a situação gerou controvérsia, especialmente após o ministro Luís Neves ter anunciado que está a reunir documentos relevantes sobre as obras realizadas na sua casa em Odemira, onde a Construbarcelos esteve envolvida.
Em declarações em Viana do Castelo, Luís Neves afirmou estar a preparar-se para esclarecer todas as questões relacionadas com a sua propriedade e o atrelado encontrado nas instalações da empresa Construbarcelos. O ministro sublinhou que está a reunir todos os documentos que considera importantes e que está disposto a responder a todas as perguntas.
A polémica intensificou-se após a PJ anunciar a abertura de um inquérito sobre o atrelado apreendido, que estava ligado a um processo de tráfico de droga. Este atrelado foi encontrado estacionado junto a um camião da Construbarcelos, que realizou obras na propriedade de Neves. A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou a existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos no âmbito da “Operação Pacoba”.
A situação remonta a 10 de julho, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que Luís Neves contratou a Construbarcelos para remodelar um imóvel em Odemira, uma empresa que já tinha realizado obras na PJ durante o período em que Neves era diretor nacional. Entre 2020 e 2025, a Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, um valor que foi confirmado pelo próprio ministro em entrevista.
A Câmara de Odemira também se pronunciou sobre a situação, afirmando que está a verificar a legalidade das obras realizadas na propriedade de Luís Neves. Em resposta a questões da agência Lusa, o município esclareceu que não está em curso qualquer processo de licenciamento ou comunicação de obras nos edifícios localizados na freguesia de São Teotónio.
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Fonte: Sapo





