Nova era de investimento em infraestruturas em Portugal

O recente evento promovido pela concessionária ANA, que gere o aeroporto de Lisboa, contou com a presença de Nicolas Notebaert, CEO da Vinci Concessions. Durante a sua intervenção, Notebaert destacou a magnitude do novo aeroporto de Lisboa, afirmando que “não há um projeto planeado para a Europa Ocidental tão grande” como o que está a ser desenvolvido no Campo de Tiro de Alcochete.

O novo aeroporto ocupará uma área de 2.500 hectares, abrangendo os concelhos de Benavente e Montijo. O terminal de passageiros terá uma dimensão impressionante de 500.000 m2 e contará com até 140 portas de embarque. Para a sua construção, será necessário movimentar cerca de 45 milhões de metros cúbicos de terra, com um custo estimado entre 7,9 mil milhões e 8,9 mil milhões de euros, sem incluir as acessibilidades rodoviárias e ferroviárias, que somam 250 km de novas infraestruturas.

Este projeto é apenas a ponta do iceberg da nova era de investimento em infraestruturas em Portugal. Após um período de estagnação, onde as necessidades de conservação das estradas se acumularam, os últimos governos têm demonstrado uma nova visão. O investimento em infraestruturas, que esteve quase ausente nas últimas décadas, começou a ser revitalizado com a decisão de avançar para o novo aeroporto e a implementação de um Plano Ferroviário Nacional.

Além do aeroporto, o Governo planeia avançar com a construção da linha de Alta Velocidade Lisboa-Madrid, que incluirá a Terceira Travessia do Tejo (TTT). O investimento total nas três linhas de alta velocidade é estimado em cerca de 22 mil milhões de euros. Para além disso, o Ministério das Infraestruturas já solicitou estudos para o túnel Algés-Trafaria, com um custo estimado de 2 mil milhões de euros.

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O Governo está a avançar com investimentos em 33 vias prioritárias, que totalizam 4 mil milhões de euros, excluindo o túnel Algés-Trafaria. No setor dos transportes, prevê-se um investimento de mais de 5,6 mil milhões de euros, dos quais 1,8 mil milhões serão destinados à aquisição de novos comboios para a CP. Para os portos, também esquecidos durante anos, está previsto um investimento de 4 mil milhões de euros, com uma parte significativa a ser suportada pelo Estado e fundos comunitários.

No total, o investimento em infraestruturas já ultrapassa os 50 mil milhões de euros, mas o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, menciona um “ciclo expansionista de 75 mil milhões de euros em obras públicas para os próximos dez anos.” Uma parte significativa deste investimento será realizada por privados, com o novo aeroporto a ser financiado através de taxas aeroportuárias e as novas travessias a serem pagas por portagens.

No entanto, a questão que se coloca é se o país terá recursos financeiros suficientes para suportar todos estes projetos. O financiamento de algumas infraestruturas, como a Linha vermelha e a Linha Violeta do Metropolitano de Lisboa, está em risco devido à falta de fundos.

Após décadas de indecisão, os grandes projetos de investimento em infraestruturas estão finalmente a avançar, o que é um sinal positivo para o futuro do país. Estes investimentos prometem modernizar Portugal, atrair mais investimento e melhorar a produtividade. Contudo, é essencial ponderar cuidadosamente o custo de oportunidade de alocar recursos a estas infraestruturas em vez de outras áreas.

O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, afirmou que “o Portugal daqui a dez anos será um Portugal infraestruturado”, capaz de apoiar os sonhos e projetos dos cidadãos e empresários. Contudo, é fundamental que o país mantenha os pés assentes na realidade.

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investimento em infraestruturas Nota: análise relacionada com investimento em infraestruturas.

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Fonte: ECO

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