O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, anunciou que o partido irá aguardar pelos esclarecimentos prometidos pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, para a próxima semana. Em declarações à margem de uma iniciativa do PS, Carneiro sublinhou a importância de respeitar o princípio da presunção de inocência. “Ele prometeu esses esclarecimentos para a próxima semana e, portanto, vamos aguardar”, afirmou.
Carneiro destacou que, embora o silêncio não seja uma opção, também não se deve fazer julgamentos precipitados. “O silêncio é inimigo da transparência, mas fazer julgamentos na praça pública também não é o caminho”, frisou. Esta declaração surge num contexto em que Luís Neves é questionado sobre a entrega tardia da sua declaração de património ao Tribunal Constitucional, que ocorreu em 2026, uma semana antes de assumir o cargo de ministro, apesar de já ter liderado a Polícia Judiciária desde 2018.
O líder do PS reiterou a necessidade de compreender as circunstâncias que rodeiam esta situação. “Pode haver explicações. É preciso aguardar por essas explicações”, disse, referindo-se à possibilidade de que a decisão de Neves tenha sido acompanhada por outros diretores adjuntos.
José Luís Carneiro também abordou a Comissão Parlamentar de Inquérito anunciada pelo Chega, afirmando que o PS não a apoiará para proteger as instituições. “Há aqueles que querem destruir as instituições e aqueles que querem corrigir erros e omissões”, afirmou, defendendo a importância da Polícia Judiciária na administração da justiça em Portugal.
O secretário-geral do PS enfatizou que Luís Neves, como ex-titular da Polícia Judiciária, deve ter consciência da relevância das suas explicações. “O primeiro-ministro também deve estar ciente da importância da clareza das explicações para salvaguardar as instituições do Estado de Direito Democrático”, acrescentou.
Caso as explicações de Luís Neves não sejam convincentes, Carneiro deixou claro que o PS tomará as decisões necessárias. “Se não forem fundamentadas e compatíveis com a legalidade democrática, tomaremos as decisões que se impõem”, afirmou, sem especificar quais seriam essas decisões.
Na terça-feira, Luís Neves revelou que está a reunir documentos relevantes relacionados com as recentes polémicas, incluindo as obras na sua casa em Odemira e um atrelado encontrado em casa de um construtor que trabalhou na sua propriedade. A Polícia Judiciária anunciou que abriu um inquérito sobre o atrelado apreendido num processo de tráfico de droga, que estava ligado a um camião da empresa Construbarcelos, responsável pelas obras na casa do ministro. A Procuradoria-Geral da República também confirmou a existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos na “Operação Pacoba”.
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Fonte: ECO





