Andy Burnham, o novo primeiro-ministro do Reino Unido, apresentou um ambicioso plano para mitigar o custo de vida, construir habitação social, incentivar o emprego jovem e erradicar a situação dos sem-abrigo. O seu objetivo é restaurar um “sentido de unidade” que, segundo ele, se perdeu ao longo dos anos. Este plano surge num contexto de crise económica, não num país em desenvolvimento, mas numa das nações mais ricas da Europa.
Burnham, que sucedeu a Keir Starmer, é o mais recente líder trabalhista a assumir o cargo, após uma década marcada por mudanças frequentes de governo. O seu discurso inicial foi claro: o Reino Unido enfrenta um dos maiores desafios da sua história recente, exacerbado pela inflação e pela desarticulação do setor energético. A situação é tão crítica que rumores sobre um possível resgate do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao Reino Unido começaram a circular, embora não confirmados.
O novo primeiro-ministro destacou a necessidade de um novo modelo político e económico, prometendo as reformas mais significativas dos últimos 40 anos. Criticou a centralização do poder e a desindustrialização que ocorreram desde a década de 1980, referindo-se implicitamente ao legado de Margaret Thatcher. As suas propostas incluem devolver poderes às comunidades locais, aumentar o controlo público sobre serviços essenciais e implementar um plano de reindustrialização nacional.
As reações às suas declarações foram mistas. Enquanto alguns apoiam a sua abordagem, outros, incluindo a oposição conservadora, temem que a sua agenda de intervenção estatal possa levar a um retrocesso económico. O líder do partido Reform UK, Nigel Farage, foi particularmente crítico, afirmando que Burnham não tem um “mandato legítimo” para governar.
O plano de Burnham é abrangente e visa uma transformação económica e social em dez anos. Entre as suas propostas estão a nacionalização de setores como a energia e os transportes, reformas fiscais progressivas e um grande programa de construção de habitação pública. A habitação é uma prioridade, especialmente após a sua experiência em Manchester, onde não conseguiu erradicar os sem-abrigo como prometido.
Na área da educação, Burnham pretende uma reforma estrutural profunda e, para descentralizar o poder, planeia estabelecer uma base oficial do governo em Manchester. Este movimento visa retirar o monopólio político de Londres, promovendo uma maior autonomia regional.
Os números económicos atuais do Reino Unido mostram um crescimento do PIB real de 0,6% no primeiro trimestre, mas a inflação continua a ser uma preocupação, com o Índice de Preços ao Consumidor a fixar-se em 2,6%. A taxa de desemprego está em 4,9%, mas o emprego jovem revela fragilidades. O défice público, embora elevado, é o mais baixo desde a pandemia.
Burnham, conhecido como o “Rei do Norte”, tem um perfil que combina proximidade popular e foco em investimentos estatais. A sua trajetória política inclui a defesa intransigente do serviço público de saúde e o controlo público dos transportes e da energia. Com um estilo de vida que reflete a classe trabalhadora do norte, Burnham procura agora unir o país e revitalizar a economia.
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Andy Burnham Andy Burnham Andy Burnham Andy Burnham Nota: análise relacionada com Andy Burnham.
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Fonte: Sapo





