Incêndios de sexta geração: um alerta para o futuro

Os incêndios de sexta geração, que têm afetado severamente países como Espanha e França, estão a tornar-se cada vez mais frequentes, alertou o investigador Domingos Xavier Viegas. Este fenómeno, que resulta das alterações climáticas, apresenta uma nova realidade para a gestão de incêndios florestais.

Em declarações à agência Lusa, Viegas, especialista em incêndios florestais e professor emérito da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, explicou que a designação de “sexta geração” se deve à quantidade de energia libertada pelas chamas. Quando os incêndios geram mais de 10 megawatts por metro, a capacidade de controlo através de ataques diretos torna-se praticamente impossível. Nos últimos anos, já foram registados incêndios com libertação de energia que atingem os 60 megawatts.

“Estes incêndios são particularmente difíceis de controlar, pois criam condições que alteram o seu comportamento. Mesmo na ausência de vento, o fogo pode gerar o seu próprio vento, tornando-se muito imprevisível”, afirmou Viegas. Este comportamento é o que se tem verificado nos incêndios recentes em França e no centro de Espanha, onde as autoridades têm dificuldade em controlar a situação.

O investigador também referiu que os incêndios devastadores que ocorreram em Portugal em 2017 podem ser classificados como incêndios de sexta geração, dado que apresentaram energias na frente de fogo dessa magnitude. Para combater este tipo de incêndios, as estratégias são limitadas. “É possível atuar na cauda e nos flancos, mas na frente principal não há condições para tal, nem mesmo com meios aéreos pesados”, explicou.

Uma das estratégias para tentar controlar esses incêndios é a criação de zonas de descontinuidade, utilizando máquinas de rasto para criar barreiras. No entanto, essa abordagem só é eficaz se o fogo não conseguir ultrapassar essas faixas. Outra opção, o contrafogo, é arriscada, especialmente em condições de vento.

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Dada a gravidade da situação, as autoridades têm priorizado a proteção das populações, focando-se na evacuação em vez de tentar controlar o incêndio diretamente. Viegas sublinha que é fundamental aumentar o investimento na gestão do risco de incêndios, uma vez que os investigadores da Universidade de Coimbra já alertaram para o ritmo das alterações climáticas que pode ultrapassar os esforços de adaptação da paisagem florestal.

O relatório “Incêndios florestais em Portugal: Mais de 80 anos mostram que o país tem de mudar”, divulgado em junho pela Greenpeace, reforça a necessidade de uma mudança na abordagem à gestão florestal em Portugal. Este estudo aponta três causas principais para o aumento da área ardida no país: as condições climáticas, a organização da paisagem e a gestão florestal insuficiente.

Leia também: A importância da gestão florestal na prevenção de incêndios.

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Fonte: Sapo

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