Aumento do salário mínimo exige medidas para competitividade

O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, expressou a sua preocupação relativamente ao aumento do salário mínimo nacional, que está previsto para ultrapassar os 970 euros. Em declarações ao ECO, Calheiros sublinhou que, se o Governo optar por um aumento superior aos 50 euros já acordados, será necessário implementar um conjunto de medidas estruturais que reforcem a competitividade das empresas.

Calheiros afirmou que “a valorização dos salários deve caminhar lado a lado com a valorização da produtividade”. Para ele, é fundamental garantir que os aumentos salariais sejam sustentáveis e compatíveis com uma economia mais competitiva. O presidente da CTP sugere, entre outras ações, uma nova diminuição do IRC e a redução da carga fiscal sobre o trabalho, além de uma legislação laboral que promova o desenvolvimento.

O responsável destacou que, para os empregadores suportarem um aumento significativo do salário mínimo, é essencial continuar a reduzir a carga fiscal e simplificar a burocracia. Também mencionou a importância de incentivar o investimento produtivo e a inovação, assim como a qualificação dos recursos humanos. “É crucial facilitar o acesso das empresas à contratação de trabalhadores, tanto nacionais como estrangeiros, para combater a escassez de mão de obra”, acrescentou.

Calheiros alertou que qualquer alteração que ultrapasse os compromissos assumidos deve ser discutida no âmbito da Concertação Social, para preservar a confiança dos parceiros e a estabilidade dos acordos. O secretário de Estado do Trabalho, Adriano Rafael Moreira, também defendeu que a revisão do salário mínimo deve ser feita com base em dados económicos positivos, sugerindo que já era tempo de negociar um aumento.

A CTP reconhece que a valorização salarial é um objetivo importante, mas sublinha que deve ser feita de forma equilibrada, considerando a competitividade das empresas. “A pior solução seria criar aumentos administrativos que comprometessem o investimento e a criação de emprego”, afirmou Calheiros, enfatizando a necessidade de conhecer a estratégia fiscal do Governo para os próximos anos.

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Os representantes dos trabalhadores também têm uma visão divergente. A UGT acredita que existem condições para que o salário mínimo atinja mil euros em 2027, enquanto a CGTP exige um aumento imediato para 1.050 euros. A central sindical argumenta que as famílias estão a ser afetadas pela subida dos preços dos bens essenciais e que os aumentos salariais são urgentes.

Calheiros concluiu que a realidade empresarial em Portugal é muito diversa, com algumas empresas a conseguirem acomodar o aumento do salário mínimo, enquanto outras, especialmente micro e pequenas empresas, enfrentam dificuldades significativas. “É importante avaliar as condições concretas das empresas antes de tomar decisões sobre o salário mínimo”, disse.

Leia também: O impacto do aumento do salário mínimo na economia portuguesa.

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Fonte: ECO

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