Um ataque informático à Unitel, a maior operadora de telecomunicações de Angola, está a provocar sérias dificuldades no país desde a madrugada de terça-feira. Este incidente tem impactado as transações bancárias, levando milhares de cidadãos a enfrentar problemas para fazer compras, levantar dinheiro e até pagar impostos e salários. A situação foi reportada por vários utilizadores contactados pela Lusa.
De acordo com os relatos, trabalhadores em províncias remotas estão a receber mantimentos das empresas, enquanto clientes com números portugueses associados a operadores de Portugal também ficaram sem sinal. A Unitel anunciou a reposição parcial dos serviços em 15 das 21 províncias, prevendo a normalização nas restantes ainda hoje. Contudo, muitos clientes continuam sem conseguir realizar chamadas, embora já tenham acesso a dados móveis.
O impacto do apagão na Unitel estende-se às operações bancárias, que dependem do envio de mensagens SMS para validar transações. Uma utilizadora mencionou que não conseguiu pagar impostos através da sua aplicação bancária, pois não recebeu o SMS necessário para a validação. Outra pessoa teve de se deslocar a uma agência bancária para tentar resolver a situação. Além disso, uma gestora de empresa relatou que não conseguiu pagar os salários dos seus funcionários, pois não recebeu os códigos de segurança temporários do banco.
Os pagamentos em supermercados, cafés e restaurantes também estão a ser afetados, uma vez que os terminais de pagamento automático (TPA) estão ligados à rede da Unitel. Algumas cadeias de hipermercados começaram a substituir os cartões SIM dos terminais para permitir que os clientes possam voltar a realizar pagamentos com cartão, enquanto outras lojas estão a disponibilizar IBAN para facilitar as transações.
Nas províncias, a situação agrava-se, com problemas logísticos a complicarem ainda mais a vida das empresas. Um responsável de uma empresa que opera no Zaire e no Uíge relatou que teve de enviar mantimentos a funcionários que não conseguiam comprar nada. Além disso, há registos de absentismo laboral, com alguns trabalhadores a faltar ao trabalho e a justificar-se com idas ao médico ou falecimentos de familiares, sem poderem avisar os superiores devido à falha nas comunicações.
Os testemunhos recolhidos indicam que os cibercafés em Luanda não estão a funcionar normalmente, enquanto as lojas das concorrentes da Unitel, como a Africell e a Movicel, estão a registar um aumento significativo de clientes à procura de alternativas.
A Lusa tentou obter reações da Associação Angolana de Internet, da Empresa Interbancária de Serviços (EMIS) e do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS), mas não obteve resposta até ao momento. O ataque foi identificado às 02h20 de terça-feira e afetou os serviços móveis de voz, dados e Internet em todo o território nacional. A Unitel admitiu que o incidente pode ter sido “um ataque deliberado e dirigido”, possivelmente com o intuito de perturbar a sua entrada em bolsa, que ocorreu na quarta-feira.
A operadora estreou-se na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) após a privatização de 15% do capital pelo Estado, registando um aumento de 24,88% no primeiro dia de negociação, apesar da falha na rede. Com mais de 20,8 milhões de clientes e uma quota de mercado de 76%, a Unitel é a maior operadora de telecomunicações em Angola, levantando preocupações sobre a dependência excessiva de um único operador.
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Fonte: ECO





