Comprar casa com ajuda dos pais: o que saber sobre crédito

A aquisição de uma casa é um desafio para muitos jovens em Portugal, especialmente devido a rendimentos limitados ou à falta de estabilidade profissional. Quando não conseguem cumprir os critérios para a pré-aprovação do crédito habitação, uma solução viável pode ser a inclusão dos pais como segundos titulares no contrato.

Mas o que implica esta decisão? Os pais assumem a responsabilidade pelo pagamento do empréstimo? Tornam-se proprietários do imóvel? E se, no futuro, o jovem quiser assumir o crédito sozinho?

Antes de avançar, é fundamental entender as vantagens e desvantagens de comprar casa com a ajuda dos pais, bem como as responsabilidades que esta decisão acarreta.

O que significa ser segundo titular num crédito habitação?

Incluir um segundo titular no crédito habitação pode aumentar as hipóteses de aprovação do financiamento. O banco avaliará a situação financeira do segundo titular, considerando rendimentos, encargos e histórico de crédito. Se o crédito for aprovado, ambos os titulares tornam-se responsáveis pelo pagamento das prestações.

Mesmo que o jovem assuma o pagamento, a inclusão dos pais pode impactar a capacidade destes de obter novos financiamentos no futuro.

Quando é vantajoso incluir os pais como segundos titulares?

Recorrer aos pais como segundos titulares faz sentido quando o banco considera que o jovem não tem condições para obter o crédito sozinho. Situações comuns incluem:

– Rendimentos insuficientes para suportar a prestação.
– Taxa de esforço que ultrapassa os limites permitidos.
– Início da vida profissional ou historial de rendimentos reduzidos.
– Contrato de trabalho recente ou situação laboral instável.
– Montante de financiamento superior ao que conseguiria obter sozinho.

Vantagens de comprar casa com a ajuda dos pais

Incluir os pais como segundos titulares pode aumentar as hipóteses de aprovação do crédito habitação, especialmente quando os rendimentos do jovem são limitados. Além disso, esta solução pode permitir obter um montante de financiamento mais elevado ou condições mais favoráveis, como um spread mais baixo. Contudo, a avaliação final depende sempre da instituição financeira.

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É importante notar que a idade dos pais pode influenciar o prazo do crédito. O banco considera a idade do titular mais velho para determinar o prazo máximo do empréstimo, o que pode resultar em prestações mensais mais elevadas.

E se o jovem quiser beneficiar da garantia pública?

Caso o jovem pretenda beneficiar da garantia pública, é importante ter em mente que, geralmente, não poderá incluir os pais como segundos titulares. A garantia pública permite obter financiamento até 100% do valor da habitação, mas todos os mutuários devem cumprir os requisitos legais. Assim, se os pais forem incluídos, o financiamento deixa de ser elegível para esta garantia.

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Que responsabilidades assumem os pais?

Ser segundo titular do crédito habitação implica responsabilidades significativas. Os pais tornam-se co-responsáveis pelo cumprimento do contrato, o que significa que, se o jovem não pagar as prestações, o banco pode exigir o pagamento aos pais. Além disso, a inclusão no crédito pode afetar a capacidade dos pais de obter novos financiamentos.

É essencial que os pais considerem as implicações a longo prazo antes de aceitarem esta responsabilidade. A duração do compromisso pode estender-se por várias décadas, e a exoneração do contrato depende sempre da aprovação do banco.

Ser segundo titular ou fiador: qual a diferença?

Embora ambos os papéis impliquem responsabilidades, ser segundo titular significa que os pais são mutuários do crédito desde o início, enquanto o fiador apenas presta uma garantia adicional. Esta diferença é crucial, pois a inclusão como segundo titular implica um compromisso financeiro mais abrangente.

Os pais tornam-se proprietários da casa?

Ser segundo titular não implica automaticamente a propriedade do imóvel. A titularidade é definida em atos distintos: o contrato de crédito determina quem é responsável pelo pagamento, enquanto a escritura define quem é proprietário. Assim, os pais podem ser segundos titulares sem serem proprietários, ou podem ser co-proprietários se constarem na escritura.

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É possível retirar os pais do crédito mais tarde?

Sim, mas a saída dos pais do contrato depende da aprovação do banco. O jovem deve demonstrar que consegue suportar o crédito sozinho, e o banco fará uma nova avaliação da sua situação financeira. Se o risco de incumprimento aumentar, a exoneração pode ser recusada.

Antes de incluir os pais como segundos titulares, é importante refletir sobre as implicações financeiras e o impacto nas finanças familiares. Avaliar a duração do compromisso e discutir cenários futuros pode ajudar a tomar uma decisão mais informada.

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Fonte: Doutor Finanças

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