Os agricultores portugueses estão a exigir um apoio de 190 milhões de euros ao governo, considerando que as medidas recentemente aprovadas para mitigar a subida dos preços dos combustíveis são insuficientes. Apesar do aumento de 10 cêntimos por litro no gasóleo colorido e marcado, os agricultores afirmam que essa ajuda não cobre o aumento significativo dos custos que têm enfrentado.
Pedro Pimenta, vice-presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), sublinha que o preço do gasóleo agrícola já aumentou cerca de 42 cêntimos por litro desde o início do mês. “Se aumentou 42 cêntimos e nos devolvem 10, continuamos com mais 32 cêntimos em cima. É uma brutalidade”, afirma, destacando que este aumento está a ter um impacto imediato nas explorações agrícolas.
O momento é crítico, uma vez que coincide com a instalação das culturas de primavera-verão, como tomate, batata e cenoura. Durante este período, o consumo de combustível é elevado, com a agricultura a consumir, em média, mais de um milhão de litros de gasóleo por dia. “Este aumento representa mais de 400 mil euros diários de despesa adicional”, explica Pimenta, que estima que os agricultores enfrentaram um aumento de custos de cerca de 12 milhões de euros num único mês.
Além do aumento dos preços dos combustíveis, os agricultores também lidam com uma subida expressiva nos custos dos fertilizantes, que aumentaram cerca de 30%. Pimenta refere que o custo de fertilização de um hectare de milho subiu de 1.000 para 1.300 euros. “As faturas estão a chegar agora, não é mais tarde”, alerta.
Diante deste cenário, a CAP defende que o governo deve implementar medidas mais robustas e imediatas que tenham um impacto real no ciclo produtivo atual. “Era preciso uma medida robusta agora, não uma solução que fica aquém do problema”, sustenta.
O pacote de medidas aprovado pelo governo inclui apoios que totalizam cerca de 150 milhões de euros por mês, abrangendo não só a agricultura, mas também outros setores. No entanto, os agricultores consideram que esta ajuda é limitada. “É menos de um quarto do aumento que já tivemos. Não resolve o problema”, insiste Pimenta.
A concorrência com Espanha agrava ainda mais a pressão sobre o setor. O governo espanhol anunciou um pacote de apoio de 877 milhões de euros para a agricultura, incluindo um apoio direto de 20 cêntimos por litro de combustível. “Estamos a produzir com custos mais elevados do que os espanhóis e a vender ao mesmo preço. Assim não conseguimos competir”, alerta Pimenta, que apela a um esforço proporcional por parte do governo português. “Não pedimos 800 milhões, mas pelo menos 190 milhões, o proporcional à dimensão do nosso país para ajudar na escalada de preços dos combustíveis e fertilizantes. Isto sim, seria um sinal de equilíbrio”, conclui.
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Fonte: Sapo





