Guiné-Bissau: Militares alertam Portugal sobre relações bilaterais

Os militares que governam a Guiné-Bissau emitiram, esta quarta-feira, uma advertência ao Governo português, ameaçando com “severas consequências nas relações bilaterais” devido ao que consideram uma ingerência na soberania do país. Esta posição surge na sequência de declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, que falou sobre a possibilidade de levantar a suspensão da Guiné-Bissau da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e reiterou a exigência de um regresso à ordem constitucional, além da libertação do opositor Domingos Simões Pereira.

Na nota de repúdio do Conselho Nacional de Transição, os militares afirmam que este comunicado serve como “advertência final” contra a postura de ingerência e paternalismo neocolonial da diplomacia portuguesa. O texto destaca que qualquer futura tentativa de intromissão nos assuntos soberanos da Guiné-Bissau “receberá uma resposta de idêntica ou superior contundência”.

A Guiné-Bissau está suspensa da CPLP e de outras organizações internacionais desde o golpe militar de 26 de novembro de 2025, que interrompeu as eleições gerais e depôs o Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló. Desde então, Domingos Simões Pereira, líder da oposição e do PAIGC, encontra-se sob prisão domiciliária.

Os militares sublinham que a CPLP “nunca financiou atos eleitorais na Guiné-Bissau”, afirmando que as últimas eleições gerais foram quase totalmente financiadas pelo próprio país. A Guiné-Bissau tem novas eleições gerais agendadas para 6 de dezembro, o que aumenta a tensão nas relações com Portugal.

Na nota, o Conselho Nacional de Transição critica a diplomacia portuguesa, referindo que “nunca manifestará interesse em regressar a uma Comunidade que funcione como mera ferramenta de influência geopolítica”. Além disso, os militares recordam o “Caso Sócrates” em Portugal, questionando a moralidade do país para emitir juízos sobre processos legais na Guiné-Bissau.

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A Guiné-Bissau reafirma a sua determinação em seguir um caminho próprio, sem a necessidade de aprovação externa. “Não nos vergará a exames de bom comportamento ditados por metrópoles estrangeiras”, conclui o comunicado.

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Fonte: Sapo

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