Open Insurance: A solução para a proteção das casas em Portugal

As tempestades que afetaram Portugal no início deste ano revelaram uma realidade preocupante: muitas casas continuam desprotegidas face a riscos que já não são excecionais. Estima-se que apenas cerca de 50% das habitações em Portugal possuam algum tipo de seguro, e, dentro desse número, muitas têm coberturas mínimas, frequentemente inadequadas ao risco real. Por exemplo, apenas 19% das casas estão protegidas contra sismos, segundo a Associação Portuguesa de Seguradores.

Além disso, o subseguro é um problema silencioso. Muitas vezes, o capital seguro é inferior ao valor de reconstrução do imóvel, o que significa que, mesmo com um seguro, a proteção pode não ser suficiente em caso de sinistro. A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões está a trabalhar no tema, e o Parlamento discute soluções. Contudo, as propostas em debate focam-se, na sua maioria, na regulação e na obrigatoriedade de coberturas.

É fundamental adotar uma visão integrada que considere regulação, mercado, tecnologia e comportamento do consumidor. A colaboração entre os intervenientes da cadeia de valor é crucial para desenhar um plano eficaz, com objetivos claros. Nesse contexto, o Open Insurance surge como uma solução promissora.

O conceito de Open Insurance, ou seguros abertos, baseia-se na partilha estruturada de dados entre seguradoras, mediadores e plataformas tecnológicas, sempre com o consentimento do cliente. Isso permite que informações sobre apólices, coberturas e sinistros sejam utilizadas de forma integrada, melhorando a transparência e a eficiência do setor.

Com a implementação do Open Insurance, seria possível identificar fragilidades nas apólices de forma proativa. Por exemplo, um mediador poderia ser alertado automaticamente para um capital seguro desajustado ou a falta de cobertura para inundações em áreas de risco. Isso permitiria que o mediador contactasse o cliente e o ajudasse a atualizar a apólice, garantindo uma proteção mais adequada.

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É importante destacar que o papel do mediador deve ser repensado. Em vez de ser visto apenas como um vendedor de apólices, o mediador deve atuar como um consultor de risco, ajudando os clientes a tomar decisões informadas sobre a sua proteção. A mudança para um modelo de Open Insurance não é apenas uma questão de eficiência; trata-se de uma transformação fundamental na forma como os seguros são geridos.

Num país onde muitos lares estão potencialmente subsegurados, a discussão sobre a proteção das habitações é urgente. O Open Insurance pode ser a chave para garantir que cada casa tenha a cobertura adequada no momento certo. É essencial que a interoperabilidade tecnológica seja integrada nos planos para reforçar a proteção das habitações em Portugal.

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Fonte: Sapo

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