O mundo enfrenta uma nova realidade com o que se designa por “lockdown energético”. O aumento dos preços dos combustíveis e a escassez iminente de recursos energéticos estão a pressionar os consumidores, que sentem o impacto no custo de vida. A inflação, que continua a subir, torna o dinheiro cada vez menos valioso, agravando ainda mais a situação.
O conflito no Médio Oriente, especialmente a guerra no Irão, intensificou-se, com ataques a infraestruturas energéticas e navios. Os preços do petróleo estão a aproximar-se da barreira dos 200 dólares por barril, colocando a economia global em risco. A necessidade de um acordo de paz duradouro é urgente para mitigar o que se pode considerar um triplo choque: nos setores petrolífero, do gás e alimentar.
A Agência Internacional de Energia já emitiu recomendações para a poupança de energia, que incluem a redução da velocidade nas autoestradas, o incentivo ao uso de transportes públicos e a diminuição dos voos de negócios em cerca de 40%. Algumas destas medidas já foram adotadas em países asiáticos, mas a sua implementação poderá ser necessária em outras partes do mundo.
Neste contexto, a Comissão Europeia também alertou para uma “potencial perturbação prolongada” na segurança energética. Medidas para reduzir a procura de petróleo, especialmente no setor dos transportes, estão a ser discutidas. A instabilidade provocada pelo conflito no Golfo exige uma ação coordenada a nível internacional, lembrando as restrições que foram impostas durante a pandemia de covid-19.
A crise energética atual tem semelhanças notáveis com a pandemia. Na Ásia e no Pacífico, a escassez de combustíveis já levou ao encerramento de escolas e à adoção de uma semana de trabalho de quatro dias, além do racionamento de combustível através de códigos QR. O que antes era um confinamento sanitário pode agora transformar-se num isolamento energético, caso a paz no Médio Oriente não seja alcançada.
Este novo “lockdown energético” não é uma luta contra um vírus, mas sim uma batalha contra a escassez de energia que ameaça paralisar economias em todo o mundo. O desafio que enfrentamos é sem precedentes, superando as crises do petróleo e do gás de décadas passadas. A guerra agora assume uma nova forma, centrada na logística e na ameaça de interrupções energéticas.
A sociedade terá de se adaptar a este “novo normal”, onde o racionamento de combustíveis pode substituir as máscaras e o distanciamento social. A estabilidade e o funcionamento contínuo das cadeias produtivas não estão garantidos, e a normalidade pode ser um recurso escasso. O mundo terá de aprender a lição e preparar-se para um lockdown 2.0, onde a segurança energética é a prioridade.
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Fonte: Sapo





