Empresas portuguesas de defesa apostam nos EUA e Médio Oriente

As empresas portuguesas de defesa estão a encontrar novas oportunidades nos Estados Unidos e no Médio Oriente, mercados que se afirmam como estratégicos num cenário de crescente procura global. Esta tendência foi destacada por José Neves, presidente do AED Cluster, numa recente entrevista à Lusa.

Neves revelou que várias empresas nacionais estão a expandir as suas operações para os EUA, sublinhando o impacto positivo de iniciativas como feiras no Médio Oriente, onde as empresas portuguesas têm conseguido assegurar novos contratos. “Não posso dar muitos detalhes, mas tenho conhecimento de algumas empresas portuguesas que estão a expandir operações para os Estados Unidos”, afirmou.

O responsável do cluster, que integra cerca de 180 entidades, incluindo empresas, universidades e centros de investigação nas áreas da aeronáutica, espaço e defesa, considera que o mercado norte-americano é “muito aberto e interessante”, com “contratos grandes”. Esta situação tem levado as empresas a explorar a possibilidade de formar parcerias, como joint ventures, com empresas americanas.

Apesar do potencial que o mercado externo oferece, Neves alerta que a atual conjuntura geopolítica, especialmente o conflito no Médio Oriente, está a acelerar uma transformação estrutural no setor. Esta transformação é marcada por uma maior aposta em tecnologia e inovação. “A guerra cada vez é menos feita por grandes plataformas e é cada vez mais feita por pequenas plataformas com desenvolvimentos muito rápidos”, explicou, referindo-se à crescente importância de drones e guerra eletrónica.

Portugal, segundo Neves, está bem posicionado para tirar partido desta mudança, uma vez que as empresas portuguesas têm demonstrado uma capacidade de resposta rápida às novas necessidades do mercado. O conceito de “new defence”, que se baseia em empresas mais ágeis e inovadoras, é uma tendência que se alinha com o perfil das empresas nacionais.

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Além da tecnologia, um dos principais desafios para o crescimento do setor é a retenção de talento qualificado. Neves destaca que, embora a procura por profissionais com competências específicas esteja a aumentar em toda a Europa, o verdadeiro desafio reside em manter esses trabalhadores. “O desafio não é contratar, é reter”, afirmou, sublinhando que as competências adquiridas tornam os profissionais atraentes para outros mercados que oferecem salários mais elevados.

Ainda assim, Portugal tem conseguido atrair talento, graças a projetos inovadores e oportunidades de desenvolvimento. “Desenvolver drones, satélites, aeronaves são desafios enormes”, disse Neves, referindo-se à capacidade do país de inovar rapidamente.

O presidente do AED Cluster também contextualiza esta evolução no âmbito de um esforço europeu para reforçar a capacidade produtiva no setor da defesa, após décadas de dependência externa, especialmente dos EUA. “Não é de um dia para o outro que se consegue revolucionar”, concluiu, enfatizando que o fortalecimento da produção e da qualificação de recursos humanos exigirá tempo.

Com a crescente procura internacional e a transformação do setor, as empresas portuguesas de defesa estão a encontrar uma oportunidade única para reforçar o seu posicionamento na indústria global. Leia também: O futuro da defesa em Portugal.

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Fonte: Sapo

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