Os setores aeroespacial e de defesa em Portugal estão a destacar-se pela sua forte orientação para o mercado externo, com impressionantes 92% da produção a ser exportada. José Neves, presidente do AED Cluster, revelou em entrevista à Lusa que se prevê um crescimento superior a 10% para 2025, com novos máximos em volume de negócios e emprego.
Os principais destinos das exportações aeroespaciais incluem o Brasil, devido à produção da Embraer em território português, seguido de Espanha, França e Alemanha. Neves explicou que muitas empresas com sede em Portugal estão ligadas a multinacionais, como a Airbus, que têm a sua casa-mãe em França.
Os dados mais recentes indicam que, em 2024, o volume de negócios do setor deverá atingir 2,1 mil milhões de euros, criando cerca de 20 mil postos de trabalho. Este crescimento é sustentado por um cluster que integra cerca de 180 entidades, incluindo empresas, universidades e centros de investigação, refletindo a expansão contínua do setor nos últimos dez anos.
Portugal tem vindo a reforçar as suas capacidades industriais, abrangendo áreas como a aeronáutica e o espaço, com o desenvolvimento de satélites, drones e sistemas de comunicações. “Estamos hoje a fabricar satélites e lançadores de satélites, algo inimaginável há uma década”, afirmou Neves.
Além do crescimento industrial, o setor mantém uma sólida integração nas cadeias de valor internacionais. Componentes produzidos em Portugal são utilizados em aeronaves de grandes fabricantes globais, como a Embraer, Airbus e Boeing. “Todas as aeronaves dessas marcas incluem peças fabricadas em Portugal”, sublinhou.
José Neves destacou a importância da colaboração entre a indústria, o Estado e as Forças Armadas para sustentar o crescimento do setor. “É fundamental um alinhamento entre as necessidades operacionais e o desenvolvimento industrial”, afirmou, defendendo que essa articulação é essencial para aumentar a incorporação nacional em grandes projetos de defesa.
Atualmente, as exportações na área da defesa representam menos de 1% do total, um valor que Neves considera baixo. “Estamos a falar de sistemas de drones e comunicações, mas no futuro teremos uma gama muito maior, incluindo satélites e aeronaves”, disse. Ele ambiciona que as exportações na área da defesa possam alcançar entre 2% a 3% nos próximos dez anos.
José Neves comparou o impacto potencial da indústria de defesa na economia nacional ao da indústria automóvel, que representa 3% das exportações. “Queremos que a defesa siga uma trajetória semelhante”, afirmou, destacando que, atualmente, 95% dos automóveis produzidos na Europa têm componentes fabricados em Portugal. O crescimento do setor dependerá da capacidade de atrair investimento, desenvolver produtos com maior valor acrescentado e reforçar a qualificação dos recursos humanos.
Leia também: O impacto da indústria automóvel nas exportações portuguesas.
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Fonte: ECO





