A Ucrânia e a Rússia estão a trocar acusações de violações do cessar-fogo estabelecido por ocasião da Páscoa ortodoxa, que entrou em vigor no passado sábado. Segundo o exército ucraniano, até às 07:00 (hora de Lisboa) de hoje, foram registadas 2.299 violações do cessar-fogo, enquanto o Ministério da Defesa russo reportou cerca de 1.971 violações por parte das forças ucranianas.
O Estado-Maior ucraniano divulgou um relatório nas redes sociais, onde detalha que, durante o período em que o cessar-fogo esteve em vigor, ocorreram 28 ataques inimigos, 479 bombardeamentos de artilharia e 747 ataques com drones de ataque. Além disso, foram contabilizados 1.045 ataques com drones FPV. O relatório também sublinha que não houve registo de ataques com mísseis ou bombas aéreas guiadas.
Por outro lado, o Ministério da Defesa da Rússia indicou que a Ucrânia lançou 1.329 drones de vigilância e atacou posições russas em 258 ocasiões, utilizando lançadores de mísseis, artilharia e tanques. Esta troca de acusações sobre o cessar-fogo reflete a tensão contínua entre os dois países, que se arrasta desde o início da invasão russa em 2022.
O Presidente russo, Vladimir Putin, havia anunciado um cessar-fogo de 32 horas durante o fim de semana da Páscoa Ortodoxa, pedindo às suas forças que suspendessem as hostilidades até ao final do domingo. O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também se comprometeu a respeitar o cessar-fogo, considerando-o uma oportunidade para promover iniciativas de paz. Contudo, advertiu que as forças ucranianas responderiam a qualquer violação de forma proporcional.
Este é o quarto cessar-fogo desde o início do conflito, e as tentativas anteriores de estabelecer uma paz duradoura têm sido marcadas por acusações mútuas de violações. Além disso, no mesmo dia, as duas nações anunciaram a troca de 350 prisioneiros de guerra, com 175 de cada lado, mediada pelos Emirados Árabes Unidos.
As negociações de paz, mediadas pelos Estados Unidos, estão paralisadas há quase dois meses, complicadas por fatores externos, incluindo a situação no Irão. A continuidade das hostilidades e as constantes violações do cessar-fogo dificultam a possibilidade de um entendimento duradouro.
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Fonte: Sapo





