A Associação de Defesa dos Clientes Bancários (ABESD), que representa quase duas mil vítimas do colapso do Banco Espírito Santo (BES), está à espera de autorização para a criação de um fundo de recuperação de créditos. Este fundo tem como objetivo ressarcir os lesados, incluindo aqueles que residem nas ilhas e emigrantes, que ainda não viram as suas poupanças devolvidas.
Os lesados do BES afirmam que o Estado e o Banco de Portugal capitalizaram o Novobanco com valores que deveriam ter protegido os clientes, mas que deixaram muitos sem compensação. “Não nos apaguem da equação!”, apelam os representantes dos lesados, sublinhando que os clientes das agências em Portugal Continental já foram ressarcidos, enquanto os das sucursais exteriores continuam à espera.
O fundo de recuperação de créditos, gerido pela Patris, foi criado especificamente para compensar os investidores do papel comercial das empresas do Grupo Espírito Santo, que totaliza mais de 400 milhões de euros. No entanto, a ABESD destaca que a Resolução da Assembleia da República 44/2018, que deveria ter sido implementada, ainda não teve efeito. “A solução está pronta e chama-se ‘Fundo de Recuperação de Créditos’, apenas à espera da aprovação do governo”, afirmam.
A associação questiona por que razão, com 1,1 milhões de euros em prémios por distribuir e receitas de venda de 6,4 mil milhões de euros, o governo não destina 330 milhões para as vítimas não qualificadas do BES. A ABESD repudia a decisão de encerrar o Acordo de Capitalização do Novobanco sem respeitar aqueles que perderam as suas poupanças.
Francisco Carvalho, presidente da ABESD, critica a situação do Novobanco, que, segundo ele, beneficiou de injeções de capital do Estado, totalizando 3.405 milhões de euros, enquanto acumulava prejuízos. “O Novobanco só é considerado ‘Bom’ porque foi capitalizado com provisões destinadas a cobrir vendas fraudulentas”, explica, sublinhando que os lesados foram duplamente prejudicados: pelos impostos e pela perda das suas poupanças.
A ABESD defende a criação de uma cláusula de equidade que reserve parte dos dividendos e lucros da venda do Novobanco para o fundo de recuperação de créditos. “É necessário garantir transparência sobre todos os fluxos de capitalização e prémios atribuídos”, conclui Francisco Carvalho, que pede uma solução justa e responsável para as vítimas.
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Fonte: Sapo





