Portugal está a enfrentar um cenário preocupante em relação à sua dívida pública, que deverá ser reembolsada até 2039. A Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) alertou que o elevado volume de reembolsos de títulos de dívida pública, bem como empréstimos da União Europeia e os remanescentes da troika, vão condicionar a capacidade do país de se financiar nos próximos anos.
O relatório trimestral da UTAO revela que o perfil de amortização de títulos de dívida pública de médio e longo prazo, entre 2026 e 2039, exige um grande esforço financeiro. Os reembolsos concentrar-se-ão principalmente entre 2026 e 2038, com valores que variam entre 9 e 21,7 mil milhões de euros. Além disso, o país ainda terá de considerar outros empréstimos, como o SURE, que foi criado pela Comissão Europeia durante a pandemia para ajudar a proteger os postos de trabalho.
A crise energética, exacerbada pela guerra no Médio Oriente, já teve um impacto significativo nas finanças públicas. Até agora, Portugal gastou cerca de mil milhões de euros devido a esta crise, que inclui 450 milhões de euros em apoios e 550 milhões de euros resultantes do aumento nos custos dos combustíveis para famílias e empresas. Este montante representa aproximadamente 0,33% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, com as ajudas públicas a corresponderem a 0,15%. O Instituto Jacques Delors e o Jornal Económico têm feito estimativas sobre os custos que as famílias e empresas estão a suportar, que se somam aos desafios já existentes da dívida pública.
O cenário financeiro de Portugal é, portanto, complexo e exige uma gestão cuidadosa. A elevada dívida pública e os custos associados à crise energética podem limitar a capacidade do país de investir em áreas cruciais para o crescimento económico. A UTAO sublinha que a situação deve ser monitorizada de perto, uma vez que as futuras operações de refinanciamento da dívida pública poderão ser afetadas.
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Fonte: ECO





