Open Insurance: Combater o subseguro em Portugal

As tempestades que assolaram Portugal no início do ano deixaram um rasto de destruição que não pode ser ignorado. Com quase 240 mil casas afetadas e mais de 185 mil sinistros reportados, os prejuízos ultrapassam já os mil milhões de euros. No entanto, um dado alarmante destaca-se: mais de metade das habitações afetadas não tinha seguro. E entre as que tinham, a questão que se coloca é: quantas estavam verdadeiramente protegidas?

A criação de um fundo de catástrofes é uma necessidade premente. Diante de fenómenos climáticos cada vez mais frequentes e severos, é fundamental reforçar a capacidade de resposta do sistema. Contudo, um problema estrutural que se torna mais evidente após estes eventos é o subseguro no multirriscos habitação. Muitas apólices não refletem o risco real, com capitais desajustados e coberturas incompletas.

Os dados da Associação Portuguesa de Seguradores revelam que o setor segurador está a responder, com mais de 300 milhões de euros já pagos em indemnizações e cerca de 95 mil processos encerrados. No entanto, a questão que se impõe é: por que continuamos a descobrir o problema do subseguro apenas após um sinistro?

O impacto real não começa com a destruição visível, mas sim quando o capital seguro não corresponde ao custo de reconstrução ou quando faltam coberturas essenciais. Este é um problema de partilha de informação. A informação necessária já existe, mas está fragmentada e de difícil acesso, dispersa entre seguradoras, mediadores e clientes. Para combater o subseguro de forma eficaz, é crucial que os dados circulem ao longo de toda a cadeia de valor, desde as seguradoras até aos mediadores, e que cheguem ao cliente de forma clara e atempada.

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A partilha de dados, suportada por tecnologia, é fundamental. Não deve ser uma ação pontual, mas sim uma prática contínua, realizada em tempo real através de APIs padronizadas, garantindo acesso consistente e seguro à informação. Dados simples, como capital seguro, coberturas contratadas e localização do risco, podem fazer a diferença. Quando estruturados e acessíveis, permitem identificar situações de subseguro e corrigir desvios antes que se transformem em prejuízo.

A partilha de informação não é um conceito novo. O setor já demonstrou a sua capacidade de colaboração em áreas como a sinistralidade nos ramos automóvel e acidentes de trabalho. O desafio agora é expandir essa lógica ao multirriscos habitação de forma integrada e aberta, envolvendo mediadores de seguros.

O open insurance surge assim como uma consequência necessária. Ao garantir que os dados circulam e que existe interoperabilidade, estamos a abordar o desalinhamento entre risco e proteção. A discussão sobre open insurance muitas vezes se perde na complexidade, mas o que se exige é uma abordagem prática e urgente, especialmente no contexto atual.

O trabalho já em curso a nível nacional, através de grupos de trabalho e na discussão sobre um fundo de catástrofes, representa uma oportunidade concreta para avançar. É tempo de agir, de colocar os dados a circular de forma segura e de garantir que as famílias em Portugal estão verdadeiramente protegidas contra o subseguro.

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Fonte: ECO

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