Um estudo recente revelou que Portugal apresenta resultados de saúde significativamente inferiores à média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). O inquérito, conhecido como Patient Reported Indicators Surveys (PaRIS), é o maior a nível internacional e foca-se na experiência de utilizadores de serviços de saúde. Os dados indicam que a perceção de saúde da população e a coordenação de cuidados são os principais pontos fracos do sistema português.
Os resultados mostram que, em diversas áreas como saúde física, saúde mental, funcionamento social e bem-estar, Portugal está entre os países com os piores resultados. Esta situação é particularmente preocupante entre grupos mais vulneráveis, como idosos, mulheres e pessoas com baixa escolaridade ou em situação de privação económica. Estes grupos reportam uma qualidade de saúde e experiências com o sistema de saúde bastante inferiores em comparação com os restantes países participantes no estudo.
O estudo destaca que menos de metade das pessoas com doenças crónicas em Portugal consideram ter uma boa saúde geral, e quase 40% estão em risco de depressão clínica. Apesar de a experiência com os cuidados de saúde estar mais próxima da média da OCDE, as fragilidades na coordenação de cuidados são evidentes. Metade dos utentes expressa insatisfação nesta área, e muitos profissionais sentem-se despreparados para colaborar eficazmente com outros prestadores de saúde.
Além disso, o estudo aponta para lacunas estruturais nos Cuidados de Saúde Primários, como a fraca coordenação entre níveis de cuidados e a baixa cobertura de planos individuais. Embora as unidades de saúde utilizem registos eletrónicos, persistem desafios relacionados com a interoperabilidade e a integração com outros serviços de saúde. A oferta de videoconsultas é limitada, o que compromete a acessibilidade e a continuidade dos cuidados.
Os especialistas sublinham que a articulação entre cuidados hospitalares, continuados, paliativos e de saúde mental é frágil e incompleta, o que pode prejudicar a continuidade assistencial. Com o aumento do número de doentes crónicos, torna-se urgente adaptar o sistema de saúde às necessidades destes pacientes.
O estudo PaRIS sugere três eixos estratégicos para a mudança: a transformação digital, que visa modernizar os canais de comunicação; a personalização da resposta assistencial, através da atribuição de um gestor de cuidados a cada utente; e o fortalecimento da confiança no sistema, que requer a medição da experiência dos utentes e um investimento na prevenção e literacia em saúde.
Com a participação de 19 países, o PaRIS ouviu 11.744 utentes em Portugal, com 45 anos ou mais, e 80 unidades de Cuidados de Saúde Primários, analisando 10 indicadores-chave. Leia também: “A importância da literacia em saúde para a população”.
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Fonte: Sapo





