A recente tempestade Kristin trouxe à tona a fragilidade das infraestruturas em Portugal. A Fidelidade estima que, se a depressão tivesse entrado no continente 150 km mais a sul, os danos poderiam ser quatro vezes maiores. Este alerta foi dado por Rui Esteves, diretor-geral técnico da Fidelidade, durante um debate sobre a gestão do risco em infraestruturas críticas.
O encontro, promovido pela Proforum, reuniu líderes de empresas como a E-Redes, Infraestruturas de Portugal e Cellnex, que discutiram a interdependência das infraestruturas e a necessidade de uma maior resiliência social em face de desastres naturais. Rui Esteves enfatizou que a análise do risco deve ir além dos próximos cinco ou dez anos, devendo considerar horizontes de 30 a 50 anos. “É fundamental perceber onde as localizações estarão expostas e a intensidade das ameaças que enfrentarão”, afirmou.
A tempestade Kristin não foi um evento isolado. Os responsáveis pelas infraestruturas criticaram a falta de preparação e a fragilidade das redes. Miguel Cruz, presidente da Infraestruturas de Portugal, revelou que a tempestade causou o encerramento de mais de 340 estradas, das quais 27 ainda permanecem fechadas. “O excesso de água no solo foi o nosso maior desafio”, acrescentou, sublinhando que a resiliência das infraestruturas não pode ser uma ilusão.
João Mora, CEO da Cellnex, destacou a importância das telecomunicações, que afetam diretamente todos os outros setores. “As telecomunicações não funcionam sem rede elétrica”, alertou, sublinhando a necessidade de articulação entre operadores. A empresa, segundo Mora, conseguiu implementar uma rede de redundância que permite manter a comunicação mesmo em caso de falhas.
José Manuel Ferrari Careto, CEO da E-Redes, notou uma evolução positiva nos comportamentos da sociedade desde o furacão Leslie. “A sociedade civil tem-se apercebido da necessidade de estar mais preparada para eventos extremos”, disse. Ele também mencionou que a hora em que a tempestade Kristin ocorreu, durante a madrugada, evitou uma catástrofe de maiores proporções.
Os líderes presentes no debate concordaram que a resiliência deve ser abordada não apenas a nível estrutural, mas também comportamental. A capacidade de resposta das empresas e da sociedade é essencial para enfrentar os desafios que as tempestades, como a Kristin, trazem.
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tempestade Kristin tempestade Kristin Nota: análise relacionada com tempestade Kristin.
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Fonte: ECO





