O líder do Chega, André Ventura, anunciou esta quinta-feira a disponibilidade do partido para iniciar negociações com o Governo sobre a reforma laboral. Ventura revelou que já foi constituída uma delegação para este efeito e destacou a descida da idade da reforma como uma das principais exigências do Chega. “Desde o início dissemos que queríamos dialogar. Agora, não é dialogar com a pistola apontada à cabeça em cima do tempo”, afirmou Ventura, durante uma conferência de imprensa na Assembleia da República.
O deputado sublinhou que a nova delegação do Chega será responsável por lidar diretamente com o Governo nas negociações, abordando cada ponto da proposta. Ventura expressou a sua expectativa de que as negociações não sejam meros “simulacros”, mas sim um processo que permita chegar a consensos que realmente mudem a legislação. “Entendemos que deveria ter existido um consenso político nesta matéria para avançarmos com propostas realistas”, acrescentou.
André Ventura criticou a gestão do Governo neste processo, afirmando que a responsabilidade de aprovar a reforma laboral recai agora sobre o Chega. O líder do partido enumerou várias exigências, destacando a necessidade de proteger os direitos dos trabalhadores, uma vez que muitos sentem que estão a trabalhar mais anos e com menos direitos. “Se estamos a flexibilizar, a aumentar a precariedade e a facilitar despedimentos, isso não pode ser o único caminho”, defendeu.
A recente rejeição da proposta de revisão da legislação laboral pela UGT foi considerada por Ventura como “expectável”. Ele afirmou que a negociação na concertação social foi uma “jogada perdida” tanto para o Governo como para as confederações sindicais. “Estivemos a perder tempo. Durante nove meses, fingimos que haveria uma reforma laboral, quando, na verdade, as partes sabiam que não haveria consenso”, criticou.
Ventura voltou a apontar o dedo ao Governo, acusando-o de não ter procurado um amplo consenso político antes de levar a reforma à concertação social. “Estamos mais perto de não termos qualquer reforma laboral. Isto deve-se à má gestão do Governo e à forma como lidou com as negociações”, afirmou.
A ministra do Trabalho, por sua vez, indicou que espera uma posição construtiva da UGT nos próximos dias. Caso essa posição seja apresentada, o Governo poderá fazer um “último esforço” para aproximar as partes. Caso contrário, a ministra anunciou que o diploma será enviado ao parlamento. Para permitir uma reflexão adequada, está agendada uma reunião da Comissão Permanente de Concertação Social para o dia 7 de maio, onde se espera que o tema seja encerrado formalmente.
Leia também: O impacto da reforma laboral na economia portuguesa.
Leia também: Fórum para a Competitividade prevê crescimento da economia entre 1,8% e 2,1%
Fonte: ECO





