O escritor e histórico socialista Manuel Alegre fez um alerta importante sobre a liberdade de expressão, afirmando que esta já não é ameaçada apenas por tanques e metralhadoras, mas sim por “palavras de ódio”. A declaração foi feita durante uma homenagem promovida pelo P.E.N. Clube Português, que teve lugar na Biblioteca Municipal das Galveias, em Lisboa.
Na sua intervenção, Manuel Alegre, que é presidente honorário do Partido Socialista, sublinhou que as “palavras pervertidas” estão a ser utilizadas para propagar a mentira e a demagogia. Ele enfatizou que estas “palavras de ódio” estão a subverter a linguagem e a minar a liberdade de expressão. “Hoje, a liberdade já não se derruba com tanques nem metralhadoras, mina-se por dentro, desconstrói-se por dentro”, afirmou, apelando à necessidade de restaurar a “palavra poética” como forma de combater a contaminação da linguagem.
Alegre expressou o desejo de que não lhe digam “outra vez o que pode ou não deve escrever”, pedindo que a “palavra volte a ser uma arma de liberdade”. O escritor insistiu na importância da poesia como um instrumento contra a mentira, a demagogia e as palavras de ódio que ameaçam a criatividade e a imaginação.
O socialista recordou que, há quase 50 anos, fez parte do grupo de escritores que fundou o P.E.N. Clube Português, ao lado de figuras como Sophia de Mello Breyner e David Mourão-Ferreira. O objetivo do clube sempre foi garantir a liberdade de expressão e de criação, especialmente em tempos de tentativas de controlo cultural.
A sessão contou com a presença de várias personalidades políticas, incluindo o conselheiro de Estado Alberto Martins e as antigas candidatas presidenciais Ana Gomes e Maria de Belém. O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, também esteve presente, mas saiu antes da intervenção final de Alegre, sem prestar declarações aos jornalistas.
Durante a homenagem, foram realizadas intervenções de Leonor Duarte de Almeida e José Carlos Vasconcelos, além da leitura de poemas de Manuel Alegre, reforçando a importância da literatura na luta pela liberdade. A mensagem de Alegre ressoa como um lembrete da necessidade de proteger a liberdade de expressão contra as palavras de ódio que podem ameaçar a nossa sociedade.
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Fonte: Sapo





