Hoje, mais de cem pessoas participaram num cordão humano e numa marcha de pescadores na praia da Rocha Baixinha, em Albufeira, para protestar contra a instalação de uma dessalinizadora no concelho do Algarve. A iniciativa, organizada pelas associações Quarpesca e Baleeira, reuniu pescadores, famílias e o presidente da Câmara de Albufeira, Rui Cristina.
O objetivo do protesto foi alertar para a importância da preservação ambiental e do uso sustentável dos recursos marinhos, especialmente num contexto de crescente pressão sobre as zonas costeiras. Adriano Sabino, presidente da Associação Baleeira, destacou que a ação visou dar voz àqueles que não participaram na consulta pública sobre o projeto. Sabino criticou a falta de divulgação do processo, afirmando que a população só tomou conhecimento do projeto quando já havia uma decisão governamental.
O presidente da Câmara, Rui Cristina, também se juntou ao protesto, defendendo que o projeto da dessalinizadora deve ser revisto. Segundo ele, a dessalinizadora é um recurso de “fim de linha”, a ser utilizado apenas quando todas as alternativas para abastecimento de água forem esgotadas. Cristina sublinhou a necessidade de analisar os impactos que a dessalinizadora poderá ter no meio marinho e nas praias, uma vez que o turismo é um pilar da economia algarvia.
O autarca questionou a validade do Estudo de Impacto Ambiental, mencionando que não foram devidamente considerados os molhes da Marina de Vilamoura e da praia de Quarteira. Alertou que a salmoura resultante da dessalinizadora pode afetar as praias e os ecossistemas, prejudicando as bandeiras azuis e o turismo. Rui Cristina também criticou a falta de alternativas, como a construção de barragens ou o combate às perdas na rede de abastecimento.
O presidente da Câmara defendeu a necessidade de um estudo de impacto ambiental mais completo, que considere todas as condicionantes e os efeitos do emissário. Ele garantiu que irá acionar os meios legais para travar a dessalinizadora, tal como está, para proteger o ambiente e o turismo.
A ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, anunciou que as obras de construção da dessalinizadora estão previstas para começar na próxima semana, com um investimento de 108 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A situação continua a gerar controvérsia e a mobilizar a comunidade local.
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Fonte: Sapo





