A Quinta das Lágrimas, um hotel de cinco estrelas situado em Coimbra, tem uma história rica que remonta ao século XIV, quando foi palco do romance trágico entre D. Pedro e D. Inês. Este hotel, que abriu as suas portas há 30 anos num edifício do século XVIII, foi um dos primeiros a trazer a experiência de um hotel histórico para fora de Lisboa e Porto. Miguel Júdice, administrador delegado da Quinta das Lágrimas, recorda que, na altura da inauguração, Coimbra não estava nos roteiros turísticos, apesar do seu vasto património cultural.
Atualmente, Coimbra tornou-se um destino turístico mais popular, mas a oferta hoteleira continua a ser escassa. Júdice destaca que a cidade não recebeu novas unidades hoteleiras nos últimos dez anos. A Quinta das Lágrimas tem desfrutado de um desempenho sólido, com uma taxa de ocupação média de 75% nos últimos dois anos, sendo a maioria dos visitantes portugueses, seguidos por turistas norte-americanos. “A nossa estadia média é de dois dias, ao contrário dos turistas do Algarve, que costumam ficar uma semana”, explica.
O hotel, que passou por uma renovação em 2020, possui 55 quartos e é membro da rede Small Luxury Hotels of the World. Para 2026, estão planeados investimentos de 150 mil euros para o hotel e 500 mil euros para a valorização dos jardins e do património cultural da Quinta das Lágrimas. Os jardins, que têm 12 hectares e estão abertos ao público há cerca de 100 anos, atraem anualmente 50 mil visitantes, incluindo grupos escolares.
No entanto, o início de 2026 não foi promissor para a Quinta das Lágrimas. As tempestades que afetaram o centro do país e a instabilidade no Médio Oriente impactaram negativamente os primeiros meses do ano. Júdice admite que os resultados ficaram aquém das expectativas, mas já se nota uma recuperação. “Estamos a aguardar pela época alta, mas acredito que conseguiremos fechar o ano com resultados semelhantes aos de 2025, com um crescimento a um dígito”, afirma.
O aumento dos custos de matérias-primas e energia também tem sido um desafio. Júdice menciona que os preços praticados pelo hotel não têm acompanhado a subida dos custos, o que tem reduzido as margens de lucro. Ele critica o ambiente de negócios em Portugal, onde os impostos e taxas elevadas dificultam a sustentabilidade de empresas que cumprem a lei.
Além das estadias e da restauração, que representam metade da receita, a Quinta das Lágrimas também gera receita através de eventos, congressos e casamentos, que contribuem com 34% da faturação total. Júdice destaca a importância de diversificar as fontes de rendimento para enfrentar os desafios do setor.
Um dos principais obstáculos que o turismo em Portugal enfrenta é a falta de mão de obra qualificada. Júdice sublinha que o país não tem recursos humanos suficientes para o setor, uma vez que não se têm formado profissionais adequados para acompanhar o crescimento do turismo nos últimos anos. “O turismo em Portugal depende fortemente da mão de obra estrangeira”, conclui.
Apesar das dificuldades, a localização privilegiada da Quinta das Lágrimas confere-lhe uma vantagem competitiva. O hotel celebra este ano sete séculos da sua história, com eventos e palestras programadas, além do lançamento de uma cerveja medieval comemorativa. “Temos a reputação de ser um local aspiracional para trabalhar na região”, finaliza Júdice.
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Fonte: Sapo





