A construção da linha circular do metro de Lisboa, que liga as estações do Rato e do Cais do Sodré, já consumiu 380 milhões de euros, um valor que representa uma derrapagem de 80% em relação à previsão inicial de 210 milhões. Este aumento de custos, que inclui uma nova injeção de 48 milhões de euros anunciada pelo governo de Luís Montenegro, levanta preocupações sobre a gestão financeira do projeto.
Desde o início do processo, há 17 anos, a linha circular tem enfrentado vários contratempos. A obra, que deveria ter sido inaugurada há três anos, acumula agora um atraso significativo e custos adicionais que se somam a uma história de suborçamentação e falta de previsões para despesas inesperadas, como expropriações e aumentos nos custos da mão de obra. Segundo o Ministério das Infraestruturas e Habitação, a situação foi agravada por fatores como achados arqueológicos e a pandemia de COVID-19.
O impacto financeiro da linha circular do metro de Lisboa não passou despercebido aos políticos. André Ventura, líder do segundo maior partido parlamentar, já manifestou a intenção de solicitar um inquérito parlamentar para esclarecer onde foram parar os 170 milhões de euros adicionais. O ECO/Local Online tem acompanhado de perto esta situação, questionando a origem e a destinação dos fundos.
Comparando com outros projetos, a linha Rubi do metro do Porto, que possui o triplo da extensão, tem um custo estimado de 488 milhões de euros, apenas 30% acima do orçamento inicial. Esta comparação levanta questões sobre a eficiência na execução da linha circular do metro de Lisboa.
As críticas à gestão do projeto são variadas. O ex-secretário de Estado das Infraestruturas, Frederico Francisco, defende que o aumento dos custos é comum em projetos de grande escala, onde imprevistos como infiltrações de água e alterações no terreno podem impactar significativamente o orçamento. A falta de uma estimativa precisa para expropriações e realojamentos também contribuiu para os custos adicionais.
A obra, que se estende por apenas 1984 metros, tem sido alvo de críticas não só pela sua execução, mas também pela sua pertinência. O secretário de Estado das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, reconheceu que houve um otimismo excessivo em relação ao orçamento e ao calendário de execução, o que resultou em ajustes constantes e na necessidade de mais financiamento.
Com a conclusão da linha circular do metro de Lisboa ainda a um ano de distância, a pressão sobre o governo e os responsáveis pelo projeto aumenta. A população espera que a obra, que promete melhorar a mobilidade na capital, não se transforme num fardo financeiro para os contribuintes.
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metro de Lisboa Nota: análise relacionada com metro de Lisboa.
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Fonte: ECO





