Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, rejeitou a ideia da União Europeia (UE) de clarificar as “linhas vermelhas” da política externa russa. Durante uma entrevista à televisão pública russa, Lavrov afirmou que a pretensão da UE é “simplesmente ridícula”, uma vez que as linhas vermelhas foram definidas há muito tempo. O chefe da diplomacia russa acusou a UE de ignorar as tentativas de diálogo, alegando que o bloco está mais interessado em “ganhar tempo e fornecer armas” à Ucrânia.
Lavrov referiu-se a declarações de “alguns funcionários” da UE que sugeriram que, em algum momento futuro, seria necessário um diálogo com a Rússia para clarificar essas linhas vermelhas. Para Lavrov, essa ideia é “totalmente irresponsável”. Ele insistiu que a UE não necessita de explicações de Moscovo e que “qualquer pessoa que estivesse disposta a ouvir” já deveria ter compreendido a posição russa.
O ministro sublinhou que, se certos membros da elite europeia perseguem objetivos egoístas e ilusórios, acabarão por prestar contas. “A História, em última análise, irá responsabilizá-los”, afirmou. A Rússia, recorde-se, invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, dando início ao que é considerado o pior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Entre as exigências da Rússia estão o reconhecimento da soberania russa em cinco regiões ucranianas, incluindo a Crimeia, e garantias de que a Ucrânia nunca fará parte da NATO. As declarações de Lavrov surgem após um encontro recente em Chipre entre os líderes da UE e o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, onde foi aprovada uma ajuda financeira de 90 mil milhões de euros a Kiev e um novo pacote de sanções contra Moscovo.
Lavrov não poupou críticas a Zelensky, acusando-o de liderar um “regime abertamente nazi” e de querer estabelecer uma nova entidade militar europeia, apoiada por países como Alemanha e Reino Unido. O ministro destacou que Zelensky afirma ter a força e a experiência necessárias para liderar essa entidade militar, mas expressou dúvidas sobre a viabilidade dessa situação.
Além disso, Lavrov criticou a pressão de Zelensky para uma adesão imediata da Ucrânia à UE, argumentando que isso significaria aceitar um país que proíbe a cultura russa e a Igreja Ortodoxa. Ele considerou irónico que a UE veja Zelensky como um defensor dos valores europeus, apesar das ações que este tomou contra a cultura russa.
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linhas vermelhas linhas vermelhas Nota: análise relacionada com linhas vermelhas.
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Fonte: Sapo





