Competição EUA-China redefine a ordem mundial em 2023

A competição EUA-China está a moldar a nova ordem mundial, conforme alertaram analistas de relações internacionais durante um congresso da Câmara do Comércio dos Estados Unidos em Hong Kong. O antigo diplomata Kishore Mahbubani destacou que a rivalidade entre Washington e Pequim se tornou o “principal eixo geopolítico do século XXI”, refletindo perceções divergentes sobre poder e influência global.

Mahbubani, que foi embaixador de Singapura e presidiu o Conselho de Segurança da ONU, sublinhou que a luta entre a “superpotência dominante” e a “superpotência em ascensão” é inevitável, apesar dos esforços diplomáticos. “As relações entre os dois países podem parecer vantajosas, mas na política, alguém sai sempre a perder”, afirmou.

O diplomata enfatizou que os Estados Unidos continuam a ser a potência militar mais forte e a maior economia do mundo, prevendo que o Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano atinja cerca de 30 biliões de dólares em 2025, em comparação com os 20 biliões de dólares da China. “Quem acredita que os EUA estão a enfraquecer não está a ver a realidade”, disse Mahbubani, que também reconheceu a ascensão da China como uma transformação histórica sem precedentes.

A China, segundo Mahbubani, passou de representar cerca de 6% da produção industrial global para níveis que poderão atingir os 45% em poucas décadas. Esta ascensão, combinada com a resiliência dos EUA, está a criar um sistema internacional cada vez mais competitivo, forçando os países a escolher lados. “Os estados menores enfrentam uma pressão crescente para navegar entre as duas potências”, alertou.

A académica Liu Zongyuan, presente no mesmo evento, acrescentou que a China tem uma interpretação distinta da ordem internacional. “Pequim não vê o mundo da mesma forma que Washington”, afirmou, destacando que a capital chinesa tende a encarar as relações de forma mais flexível, ao contrário da abordagem binária dos EUA.

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Liu também observou que a China não se considera protagonista nos conflitos atuais, como a guerra entre a Rússia e a Ucrânia ou a tensão entre os EUA, Israel e Irão. No entanto, a investigadora apontou que Pequim pode estar a beneficiar indiretamente da diminuição da influência dos EUA. “A China está a conseguir o que sempre quis: um Washington menos credível e menos capaz de formar consenso internacional”, disse.

Contudo, Liu advertiu que esta situação é ambivalente para Pequim. Um Washington menos credível pode dificultar a formação de coligações contra a China, mas também torna o sistema internacional mais instável e perigoso. “Um Washington mais instável pode levar a um aumento do uso da força, o que torna o cenário global mais arriscado”, concluiu.

Leia também: A ascensão da China e os desafios para a economia global.

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Fonte: Sapo

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