As recentes tempestades que devastaram a região Centro de Portugal no início deste ano terão um impacto significativo nas contas públicas. O Governo estima que a receita fiscal e contributiva sofrerá uma redução de cerca de mil milhões de euros, o que equivale a 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Este cenário terá consequências diretas no saldo orçamental do país.
As projeções sobre a receita fiscal estão integradas no plano Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), apresentado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro. Este plano, que inclui um envelope financeiro de 22,6 mil milhões de euros, considera os efeitos das tempestades, que foram comunicados à União Europeia e envolvem tanto o setor público como o privado.
O primeiro-ministro e o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, já tinham alertado para as repercussões económicas e orçamentais da catástrofe. A contração da atividade económica resultará numa perda de receita fiscal estimada em 600 milhões de euros para este ano e 300 milhões de euros em 2027, com um impacto mais acentuado nas receitas provenientes do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) e do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC).
No que diz respeito à receita do IRC, o efeito negativo será sentido em 2026, devido à dispensa de pagamentos por conta. O Governo prevê que as empresas afetadas pelas tempestades registam um menor volume de lucros ou até prejuízos, o que se traduzirá numa diminuição do valor de IRC a liquidar em 2027.
Além do impacto na receita fiscal, a receita contributiva também será afetada. Cerca de 15 mil empresas solicitaram isenção de Taxa Social Única (TSU), resultando numa perda de receita para a Segurança Social estimada em 335 milhões de euros. Adicionalmente, o Governo calcula que os apoios financeiros extraordinários para a manutenção de postos de trabalho e o lay-off poderão custar cerca de 80 milhões de euros. Assim, a Segurança Social poderá enfrentar uma perda de receita superior a 400 milhões de euros em 2026.
Somando todos os efeitos, espera-se que a receita fiscal e contributiva sofra uma redução de cerca de 300 milhões de euros em 2027, o que representa 0,1% do PIB. Os distritos de Leiria e Santarém, que foram os mais afetados pelas tempestades, são responsáveis por cerca de 5% da receita arrecadada pelo Estado através do IRC.
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Fonte: ECO





