Num cenário global marcado por incertezas geopolíticas, especialmente no Médio Oriente, a dependência energética de Portugal e a eficiência no uso de recursos materiais tornam-se temas cruciais. A análise revela que, apesar dos avanços na produção de eletricidade renovável, o país continua a depender significativamente de combustíveis fósseis importados, o que levanta questões sobre a resiliência da economia.
Em 2025, Portugal alcançou uma produção de eletricidade renovável de 82,9%, posicionando-se como o terceiro melhor na União Europeia (UE). Contudo, esta eletricidade representa apenas cerca de um quarto do consumo total de energia, limitando o impacto positivo na redução das emissões de CO2 e na diminuição das importações de energia. Em 2023, 43,5% do consumo final de energia teve origem em combustíveis fósseis, um valor superior à média da UE, que se situou nos 37,4%.
A dependência energética de Portugal é particularmente evidente no setor dos transportes, onde o petróleo continua a ser a principal fonte de energia. Além disso, a elevada dependência de importações de energia, que atingiu 66,9% em 2023, coloca o país em uma posição vulnerável face a flutuações de preços e crises internacionais.
No que diz respeito à eficiência no uso de recursos materiais, Portugal apresenta resultados preocupantes. O país ocupa a 18ª posição na UE em produtividade de materiais, com um PIB de 1,729 euros por quilograma de consumo interno de materiais. Este valor é significativamente inferior à média da UE, que é de 2,991 euros. A taxa de reciclagem global também é alarmante, com Portugal a situar-se em 20º lugar, com apenas 40% dos materiais reciclados em 2018.
A taxa de circularidade, que mede a reinserção de materiais reciclados na economia, é igualmente baixa, com apenas 3,0% em 2024. Este indicador revela que, embora existam esforços para promover a reciclagem, muitos materiais reciclados não são utilizados de forma produtiva, perdendo qualidade ao longo do tempo.
A interligação entre a dependência energética e a eficiência material é clara. A elevada dependência de combustíveis fósseis não se reflete apenas nos custos de produção, mas também na capacidade do país de integrar modelos circulares na sua economia. A transição energética, embora necessária, ainda não é suficiente para resolver as fragilidades estruturais que afetam a eficiência global da economia.
As políticas públicas têm abordado a questão da dependência energética de forma fragmentada, sem uma estratégia integrada que articule mobilidade, ordenamento do território e transição energética. A promoção da mobilidade elétrica e a melhoria do transporte público são passos importantes, mas a implementação tem sido lenta e insuficiente para enfrentar os desafios atuais.
Em suma, a dependência energética de Portugal e a eficiência no uso de recursos materiais são questões interligadas que exigem uma abordagem mais holística. A transição para uma economia mais sustentável requer não apenas investimentos em energia renovável, mas também uma reestruturação da organização económica e territorial do país. Leia também: A importância da economia circular para o futuro sustentável.
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Fonte: ECO





