O secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC), Bernardo Mendia, alertou que o aumento dos custos logísticos poderá ter um impacto significativo nas exportações portuguesas. Esta preocupação surge em resposta ao aumento dos preços de transporte devido ao recente conflito no Médio Oriente.
Na última segunda-feira, o presidente da Associação de Fabricantes Chineses de Hong Kong (CMA), Wingco Lo Kam-wing, revelou que algumas empresas estão a enfrentar subidas de até 100% nos custos logísticos de longa distância entre o Médio Oriente e a Europa. Além disso, os custos de seguros de transporte também registaram um aumento substancial, o que agrava ainda mais a situação.
Bernardo Mendia confirmou que a subida dos custos logísticos tornará os produtos portugueses mais caros e, consequentemente, menos competitivos no mercado internacional. Esta situação é preocupante, uma vez que as exportações são uma parte crucial da economia portuguesa.
Desde o início das hostilidades entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão, a situação no estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica, tornou-se crítica. Este estreito é responsável por cerca de 20% do consumo mundial de petróleo e, atualmente, cerca de 20 mil marinheiros estão retidos na região, conforme relatado pela agência de segurança marítima UKMTO.
O bloqueio do estreito de Ormuz provocou uma subida acentuada nos preços do petróleo nos mercados globais. Desde o início do ano, a cotação do Brent, o crude do Mar do Norte que serve de referência na Europa, aumentou 88%. Na segunda-feira, a cotação do petróleo Brent para entrega em julho subiu 5,8%, atingindo os 114,44 dólares (cerca de 97,92 euros).
Este aumento dos preços do crude não só encarece o transporte, mas também pressiona os preços de todos os produtos, alimentando assim a inflação. Bernardo Mendia sublinhou que, com os mercados de destino das exportações portuguesas a disporem de menos recursos, a situação se torna ainda mais complicada.
Em 2025, Portugal exportou mercadorias no valor de 2,85 mil milhões de dólares (2,44 mil milhões de euros) para a China, uma diminuição de 10,2% em relação ao ano anterior. Em contrapartida, as importações de bens da China aumentaram 17,7%, totalizando 7,19 mil milhões de dólares (6,15 mil milhões de euros).
O presidente da CMA, Wingco Lo, alertou que um prolongamento do conflito no Médio Oriente poderá levar a uma recessão económica global, caso a situação continue a afetar a cadeia de abastecimento e os prazos de entrega. Além disso, algumas empresas relataram aumentos de 10% a 30% nos custos logísticos de curta e média distância.
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custos logísticos Nota: análise relacionada com custos logísticos.
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Fonte: Sapo





