O congresso da APDC voltou a ser palco do debate sobre o estado dos media em 2026, com as plataformas digitais a dominarem as discussões. A falta de regulação das grandes tecnológicas, como o YouTube e a OpenAI, foi uma das principais preocupações expressas por líderes do setor, incluindo Nicolau Santos, presidente da RTP. Santos descreveu o atual cenário como um “faroeste”, onde as plataformas digitais operam sem as mesmas regras que os meios de comunicação tradicionais.
“Enquanto os pequenos operadores cumprem rigorosamente as normas, os grandes fazem o que querem”, afirmou. Para ele, é crucial que as autoridades de concorrência na Europa se unam para enfrentar esta desigualdade. Santos também sublinhou que as plataformas digitais têm recursos que lhes permitem invadir todas as áreas, prejudicando os negócios de media locais.
Francisco Pedro Balsemão, CEO da Impresa, partilhou a mesma visão, alertando para a entrada da LiveMode no mercado desportivo através do YouTube. Ele considera que esta situação pode ser um indicador do que está por vir na Europa. Balsemão destacou as desigualdades na publicidade e nas exigências horárias, afirmando que “as plataformas digitais podem operar livremente, enquanto nós estamos limitados”. Ele pediu uma redefinição da intervenção regulatória para corrigir as assimetrias existentes.
Outro tema debatido foi o impasse em torno dos direitos de transmissão do Mundial de Futebol. Pedro Morais Leitão, CEO da Media Capital, revelou que a TVI, RTP e SIC solicitaram à ERC um parecer sobre o valor justo dos direitos, após tentativas falhadas de negociar com a FIFA. Com a competição a começar em breve, Morais Leitão espera uma decisão rápida da entidade reguladora, alertando que, se as estações de sinal aberto não conseguirem transmitir, a publicidade poderá migrar para plataformas digitais.
Apesar de um panorama publicitário ainda estável, os líderes do setor expressaram preocupação com a possibilidade de uma crise económica. Nicolau Santos da RTP e Morais Leitão da Media Capital concordaram que a publicidade é frequentemente o primeiro setor a sentir os efeitos de uma crise. Ambos estão a preparar planos de contingência para enfrentar futuros desafios.
O debate também abordou a questão da medição de audiências, com críticas ao sistema atual, que, segundo Santos, apresenta conflitos de interesse. Ele questionou a ética de ter um colaborador de um canal de televisão a medir audiências, sugerindo que isso compromete a credibilidade dos dados.
Por fim, os líderes do setor alertaram para a crescente influência da Inteligência Artificial, com empresas como OpenAI a prepararem-se para um futuro de avaliações e investimentos sem precedentes. “Temos de continuar a trabalhar e a reinventar-nos constantemente”, concluiu Morais Leitão.
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Fonte: ECO





