Pedro Lazarino, licenciado em economia e gestão e com um mestrado em marketing, é o managing director da Stellantis em Portugal desde 2024. Com uma vasta experiência na indústria automóvel, incluindo cargos de liderança na Opel, ele partilha a sua visão sobre os desafios da eletrificação da Stellantis em Portugal.
A Stellantis, que opera com um portefólio de 14 marcas, enfrenta um dos maiores desafios da sua história: a transição energética. Esta mudança é impulsionada por metas europeias rigorosas que exigem uma rápida adaptação do setor automóvel. Pedro Lazarino destaca que, apesar de Portugal ter cerca de 20% das vendas em veículos 100% elétricos, a realidade é mais complexa. A adoção de veículos elétricos está, em grande parte, concentrada nas empresas, beneficiando de incentivos fiscais, enquanto os consumidores particulares ainda enfrentam barreiras significativas, como o preço elevado dos veículos elétricos.
O preço é um dos principais obstáculos, com a diferença em relação aos veículos de combustão a ultrapassar os 10 mil euros, um valor difícil de suportar para muitos consumidores. Além disso, a falta de infraestrutura de carregamento adequada limita a adoção em larga escala. Embora Portugal tenha uma infraestrutura superior à de alguns mercados europeus, ainda é insuficiente para garantir uma massificação sustentável da mobilidade elétrica. Para Lazarino, o modelo elétrico é viável principalmente quando há possibilidade de carregamento em casa.
A concorrência global também é um fator a considerar. A presença crescente de fabricantes chineses no mercado europeu, especialmente no segmento elétrico, representa um desafio crítico. A Stellantis adotou uma abordagem pragmática, estabelecendo uma parceria com a Leapmotor para comercializar veículos fora da China. Lazarino reconhece que a China detém uma vantagem significativa na tecnologia de baterias e na produção de veículos elétricos, mas questiona a equidade competitiva, sublinhando que as marcas europeias ainda contam com a confiança dos consumidores.
A fábrica da Stellantis em Mangualde é central para a estratégia do grupo, com cerca de 900 empregos diretos e uma produção anual próxima das 90 mil unidades. A transição para a produção de veículos comerciais elétricos reforça a relevância da unidade, que se torna uma garantia de futuro. Lazarino enfatiza que a eletrificação de Mangualde é crucial para a competitividade da operação e para a economia nacional.
A discussão sobre mobilidade elétrica não pode ser dissociada da realidade económica e social. O envelhecimento do parque automóvel em Portugal, com uma média superior a 14 anos, evidencia as dificuldades de acesso a veículos novos. Lazarino defende a implementação de programas de abate de veículos antigos para acelerar a renovação do parque e contribuir para a descarbonização.
Em suma, o futuro da mobilidade está traçado, mas a sua execução apresenta desafios complexos. Entre metas europeias ambiciosas, limitações económicas e pressão competitiva, a Stellantis posiciona-se como um protagonista na transformação do setor automóvel. Contudo, o sucesso dependerá de um alinhamento entre inovação, regulação e acessibilidade. A transição só será real quando for viável para todos.
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Fonte: ECO





