Empresas lucram com a guerra no Irão e alta dos preços de energia

A guerra no Irão tem gerado uma onda de incerteza económica, com o encerramento do Estreito de Ormuz a provocar um aumento significativo nos preços da energia. Este cenário tem pressionado os orçamentos de famílias, empresas e governos, mas, ao mesmo tempo, tem sido uma oportunidade de ouro para algumas empresas que lucram em tempos de conflito. O impacto da guerra no Irão é visível em vários setores, que estão a reportar ganhos recorde.

No setor do petróleo e gás, a situação é particularmente dramática. Aproximadamente 20% do petróleo e gás mundial é transportado através do Estreito de Ormuz, mas as exportações praticamente cessaram desde o final de fevereiro. Este bloqueio resultou numa volatilidade extrema nos mercados energéticos, beneficiando as grandes empresas do setor. A BP, por exemplo, viu os seus lucros mais do que duplicarem para 3,2 mil milhões de dólares nos primeiros três meses do ano, impulsionados pelo desempenho da sua divisão de trading. A Shell também superou as expectativas, reportando um aumento de lucros para 6,92 mil milhões de dólares. A TotalEnergies não ficou atrás, com um crescimento de quase um terço nos seus lucros, que atingiram 5,4 mil milhões de dólares.

O setor bancário também se destacou durante a guerra no Irão. O JP Morgan reportou receitas recorde de 11,6 mil milhões de dólares na sua divisão de trading, contribuindo para um dos seus melhores desempenhos trimestrais de sempre. No conjunto dos principais bancos, os lucros totalizaram 47,7 mil milhões de dólares, com instituições como o Bank of America e o Goldman Sachs a registarem aumentos substanciais.

Outro setor que beneficia diretamente de conflitos é o da defesa. A analista Emily Sawicz, da RSM UK, destaca que a guerra no Irão acelerou o investimento em sistemas de defesa, como antimísseis e equipamentos militares. Empresas como a Lockheed Martin e a Boeing reportaram encomendas recorde, embora as suas ações tenham recuado devido a preocupações sobre a sobrevalorização do setor.

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Por último, o conflito também trouxe à tona a necessidade de reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. A NextEra Energy, com sede na Florida, viu as suas ações subirem 17% este ano, à medida que os investidores apostam na sua estratégia de energias renováveis. As empresas dinamarquesas Vestas e Orsted também reportaram lucros em forte crescimento, evidenciando como a guerra no Irão pode beneficiar o setor das energias renováveis. O aumento dos preços dos combustíveis tem impulsionado a procura por veículos elétricos, com os fabricantes chineses a serem os mais favorecidos.

A guerra no Irão tem, portanto, um impacto profundo na economia global, criando vencedores em setores que tradicionalmente se beneficiam da instabilidade. Leia também: O impacto da volatilidade dos preços da energia na economia.

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Fonte: Sapo

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