O novo Nissan Micra chegou ao mercado com um design moderno e um motor elétrico silencioso, mas esconde um segredo que pode surpreender os fãs da marca. Este modelo, que traz de volta um nome icónico, é na verdade uma versão do Renault 5, com a qual partilha a mesma plataforma e componentes. A questão que se coloca é se vale a pena investir cerca de 30 mil euros por um carro que, apesar de ter a marca Nissan, apresenta um forte sotaque francês.
O Micra tem uma longa história, tendo sido lançado em 1982 e tornando-se rapidamente um dos carros de entrada mais populares na Europa. Muitos portugueses aprenderam a conduzir ao volante de um Micra, o que lhe confere um valor nostálgico. No entanto, a quinta geração, que chegou ao mercado em 2017, não conseguiu manter a mesma popularidade e foi descontinuada em 2023. Agora, com esta nova geração totalmente elétrica, a Nissan promete um regresso triunfante.
Apesar das expectativas, o novo Micra é, na prática, um Renault 5 disfarçado. As duas marcas pertencem ao mesmo grupo, o Renault Group, e decidiram partilhar a plataforma AmpR Small. Isso significa que o Micra utiliza os mesmos motores, baterias e chassis do Renault 5. A semelhança é evidente, especialmente no interior, onde o design e os componentes são quase idênticos.
Embora o novo Micra seja um carro competente e divertido de conduzir, fica a sensação de que a Nissan podia ter explorado mais a sua identidade. As alterações na carroçaria e nas óticas frontais tentam evocar a geração mais popular do Micra, mas a essência nipónica parece diluir-se. A verdade é que quem já experimentou o Renault 5 sentirá um desconfortante déjà vu ao entrar no Micra.
Com uma bateria de 40 kWh e 121 cv, o Micra oferece uma autonomia de 314 km, de acordo com o ciclo WLTP. No dia a dia, os números são bastante próximos do prometido, o que é uma boa notícia para quem procura um carro elétrico. O carregamento em corrente alternada é feito a 11 kW, enquanto a carga rápida em corrente contínua pode chegar a 80 kW, permitindo uma recarga rápida.
Quando se opta pelo modo Sport, o Micra revela-se mais dinâmico, com uma direção mais pesada e uma resposta do acelerador surpreendente para um utilitário. No entanto, existem algumas desvantagens que não podem ser ignoradas. O espaço traseiro é limitado, tornando-o menos confortável para viagens longas, e a bagageira, com 326 litros, não oferece soluções de modularidade que o destaquem no mercado.
A grande questão que se coloca é se os 32 mil euros pedidos pelo Micra são justificados. Com concorrentes como o Mini Cooper Electric e o Hyundai Ioniq, que oferecem propostas de valor mais atrativas, o Micra pode parecer uma escolha menos interessante. A garantia de três anos ou 100 mil km e a proteção anticorrosão de 12 anos demonstram a confiança da Nissan no produto, mas será que isso é suficiente para conquistar o consumidor?
O novo Nissan Micra é um carro que, embora competente e divertido, parece viver à sombra do Renault 5. A falta de uma identidade própria e o preço elevado levantam questões sobre o seu valor no mercado. Para quem procura um carro elétrico sólido e fácil de conduzir, o Micra pode ser uma opção, mas a sensação de que a Nissan poderia ter feito mais é difícil de ignorar. Leia também: O que esperar do futuro dos carros elétricos em Portugal.
Nissan Micra Nissan Micra Nissan Micra Nota: análise relacionada com Nissan Micra.
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Fonte: ECO





