Os Planos Poupança Reforma (PPR) têm sido uma opção popular entre os portugueses há mais de três décadas, prometendo um suporte financeiro na reforma. No entanto, um estudo recente revela que apenas 13% dos PPR conseguiram superar a inflação nos últimos cinco anos, levantando preocupações sobre a eficácia deste produto de poupança.
Desde a sua criação em 1989, os PPR foram concebidos para incentivar a poupança a longo prazo e oferecer uma alternativa ao sistema de Segurança Social. Com mais de 2,1 milhões de subscritores e um total de ativos a rondar os 17,8 mil milhões de euros, os PPR continuam a ser um pilar da poupança em Portugal. Contudo, a promessa de rendimentos que protejam o poder de compra está longe de ser cumprida.
Os dados mais recentes indicam que, em 2025, a rendibilidade mediana dos PPR com pelo menos um ano de existência foi de apenas 2,5%, ligeiramente acima da inflação média de 2,34%. Isso significa que, mesmo em um ano relativamente favorável, 45% dos PPR não conseguiram oferecer ganhos reais aos seus investidores. O cenário torna-se ainda mais preocupante quando se analisa o desempenho a três e cinco anos, onde a maioria dos PPR ficou aquém da inflação.
Apenas 21,6% dos PPR atualmente em comercialização conseguiram superar a inflação nos últimos cinco anos, e menos de 30% conseguiram fazê-lo em um horizonte de dez anos. Este desempenho é particularmente alarmante para os PPR considerados de menor risco, onde a rendibilidade mediana foi inferior a 1% nos últimos cinco anos.
Além disso, a estrutura de custos dos PPR também levanta questões. Quase metade dos produtos ainda cobra comissões de subscrição, muitas vezes superiores à rendibilidade oferecida. Isso significa que, em muitos casos, os investidores estão a pagar mais em comissões do que estão a ganhar com os seus investimentos.
Os PPR com garantia de capital, que representam cerca de 71% da oferta, também não têm conseguido proteger o poder de compra. Em 2025, estes produtos apresentaram uma rendibilidade mediana de 2,28%, ligeiramente abaixo da inflação, resultando em perdas reais para os investidores.
A situação é preocupante, especialmente para aqueles que procuram segurança e estabilidade nos seus investimentos. A erosão do poder de compra é uma realidade para muitos subscritores de PPR, que, na sua maioria, estão a financiar um sistema que não garante a proteção dos seus investimentos.
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Fonte: ECO





