O reembolso de IRS está a ser recebido por muitos contribuintes em Portugal, e a sua chegada pode ser uma oportunidade valiosa para organizar as finanças pessoais. Em vez de gastar este montante em despesas adiáveis, considere usá-lo para criar ou reforçar um fundo de emergência, que serve como uma proteção financeira contra imprevistos, como despesas médicas, reparações urgentes ou perda de rendimento.
Ao direcionar o reembolso de IRS para um fundo de emergência, transforma-se um valor pontual numa reserva financeira duradoura. Esta decisão é fundamental para evitar o recurso a crédito e manter o equilíbrio orçamental em momentos de maior pressão. Além disso, diminui a dependência de soluções de curto prazo, como cartões de crédito ou descobertos bancários, que podem agravar a situação financeira.
O reembolso de IRS não deve ser visto como um prémio, mas sim como uma oportunidade de reforçar o seu orçamento. Este montante resulta do acerto anual entre o imposto retido e o imposto efetivamente devido. Por isso, é importante utilizá-lo de forma consciente. Mesmo que não consiga guardar a totalidade do reembolso, reservar uma parte já pode fazer uma diferença significativa. Por exemplo, se receber 1.200 euros e guardar 600 euros, terá uma base para enfrentar imprevistos sem recorrer ao crédito.
Um fundo de emergência deve, em regra, cobrir entre três a seis meses de despesas essenciais. Para quem tem rendimentos instáveis ou depende de um único salário, pode ser prudente apontar para seis a doze meses. O cálculo deve ser feito com base nas despesas indispensáveis, como renda, alimentação, água, luz, gás, telecomunicações e transportes. Despesas não essenciais, como férias ou lazer, devem ser excluídas deste cálculo.
Se ainda não possui um fundo de emergência, o reembolso de IRS pode ser o ponto de partida ideal. Não é necessário atingir imediatamente o valor ideal. O importante é começar a separar uma reserva do dinheiro do dia a dia e reforçá-la ao longo dos meses. Uma sugestão é guardar 50% do reembolso, usar 30% para despesas pendentes e deixar 20% para uma decisão pessoal.
Caso já tenha alguma poupança, utilize o reembolso de IRS para acelerar o seu objetivo. Por exemplo, se já tem 2.000 euros guardados e precisa de 6.000 euros para cobrir seis meses de despesas, ao receber 1.500 euros e guardar 1.000 euros, estará mais próximo da sua meta.
O fundo de emergência deve ser mantido em um local acessível e seguro, separado da conta utilizada para despesas correntes. A prioridade não é obter a maior rentabilidade, mas garantir que o dinheiro está disponível quando necessário. Pode optar por uma conta separada, uma conta remunerada ou um depósito a prazo mobilizável, desde que possa levantar o dinheiro rapidamente e sem penalizações.
O fundo de emergência deve ser utilizado em situações inesperadas, como perda de rendimentos ou despesas médicas urgentes. Deve evitar-se usar esta reserva para gastos previsíveis, como férias ou compras por impulso, para não ficar desprotegido quando surgir uma verdadeira emergência.
Após utilizar parte do fundo, é importante criar um plano para repor o valor. Pode fazê-lo com poupanças mensais ou com o próximo reembolso de IRS. Além disso, é aconselhável rever o valor do fundo pelo menos uma vez por ano, ajustando-o conforme as mudanças nas despesas essenciais.
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Fonte: Doutor Finanças





