O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, está a intensificar a pressão sobre as operadoras de telecomunicações para que acelerem a implementação do 5G Standalone em Portugal. Esta tecnologia, considerada o “5G puro”, promete revolucionar a forma como utilizamos a rede móvel, ao funcionar de forma independente da infraestrutura 4G.
Num vídeo partilhado no LinkedIn, Pinto Luz explicou que a maioria do 5G atualmente em uso no país é, na verdade, 5G Non-Standalone (NSA), que ainda depende do núcleo da rede 4G. “O verdadeiro salto chama-se 5G Standalone”, afirmou, sublinhando que esta nova infraestrutura permitirá que a rede opere exclusivamente em 5G, sem a necessidade de recorrer à antiga tecnologia.
A transição para o 5G Standalone é vista pelo Governo como uma oportunidade para reduzir a latência, aumentar a estabilidade das ligações e suportar um número muito maior de dispositivos conectados simultaneamente. Miguel Pinto Luz destacou que, além de proporcionar uma internet móvel mais rápida, o 5G Standalone abrirá portas a novas aplicações tecnológicas, como veículos autónomos, cirurgias à distância e cidades inteligentes, onde a comunicação em tempo real é crucial.
Esta não é a primeira vez que o ministro aborda a necessidade de acelerar o desenvolvimento do 5G Standalone. Em um evento da Mastercard, ele já tinha mencionado que apenas 30% da infraestrutura nacional está realmente preparada para o 5G. Pinto Luz pediu aos operadores que garantam a conclusão do deployment do 5G, essencial para aplicações industriais e de saúde.
Em contraste, o secretário de Estado para a Digitalização, Bernardo Correia, afirmou recentemente que Portugal já possui 98% de cobertura de 5G, o que gerou alguma confusão sobre os dados apresentados. Enquanto Pinto Luz se referia especificamente ao 5G Standalone, Correia falava da cobertura geral da rede móvel no país.
O Governo tem um projeto na Estratégia Digital Nacional que visa expandir a cobertura do 5G a todo o território, com um investimento de 172 milhões de euros, gerido pela Anacom. Este projeto pretende assegurar que todos os cidadãos, independentemente da sua localização, tenham acesso a serviços digitais.
Segundo o último relatório da Anacom, em março, existiam 15.495 estações de base 5G instaladas em Portugal, um aumento de 18,4% em relação ao ano anterior. A Vodafone lidera em número de antenas, seguida pela Nos, Digi e Meo. As estações estão distribuídas por todos os concelhos do país, com uma concentração maior em áreas urbanas.
O crescimento da utilização do 5G também é notável, com 5,7 milhões de acessos à Internet móvel através desta tecnologia até ao final de 2025, representando uma taxa de penetração de 52,8 acessos por cada 100 habitantes. O tráfego de dados móveis através das redes 5G já representa 26,2% do total em Portugal.
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Fonte: ECO





