Um recente estudo sobre Gestão de Risco de Crédito revela que a morosidade está a ter um impacto significativo nas empresas portuguesas. De acordo com a pesquisa, 72% das empresas afirmam ter sofrido consequências negativas nas suas contas devido à morosidade. Alarmantemente, 14% dos gestores inquiridos consideram que a morosidade pode ameaçar a sobrevivência das suas empresas, um aumento em relação aos 11% registados em 2025.
O estudo, que envolveu mais de 400 gestores de empresas de diferentes dimensões e setores, destaca que 34% das empresas enfrentaram aumentos nos seus custos financeiros devido à morosidade. Além disso, 34% das empresas foram forçadas a interromper a sua expansão comercial, enquanto 29% reportaram perdas significativas de receitas. A situação é ainda mais grave, uma vez que 32% das empresas afirmam que a morosidade as obriga a limitar novos investimentos.
A falta de controlo da morosidade representa um risco elevado para a atividade empresarial, especialmente para as pequenas e médias empresas. O incumprimento de pagamentos acordados provoca tensões de liquidez que podem desestabilizar as operações. Quando uma empresa enfrenta incumprimento numa venda a crédito, a perda pode equivaler aos custos de produção do produto. Este impacto torna-se ainda mais severo quando a margem de lucro é reduzida, uma vez que a empresa precisa de gerar um volume de vendas considerável para compensar a perda.
Por exemplo, se uma empresa com uma margem comercial de 10% sofre um incumprimento de 10.000 euros, terá de realizar um novo negócio de 100.000 euros para cobrir os 9.000 euros em custos de produção. Este cenário é preocupante e sublinha a importância de uma gestão eficaz da morosidade.
Os dados do estudo são um alerta para as empresas portuguesas, que precisam de implementar estratégias para mitigar os riscos associados à morosidade. A gestão de crédito deve ser uma prioridade, de modo a garantir a sustentabilidade e o crescimento das empresas no futuro. Leia também: A importância da gestão de risco nas pequenas empresas.
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Fonte: Sapo





