Portugal está a estabelecer uma parceria com o Brasil para desenvolver o setor de biocombustíveis, com o objetivo de responder às necessidades de descarbonização dos transportes públicos. A ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, afirmou que esta colaboração é essencial para avançar na transição energética.
“A maior parte da descarbonização será feita através da eletrificação, mas ainda haverá uma parte significativa que dependerá de combustíveis líquidos de origem renovável, incluindo o combustível de aviação renovável”, explicou a ministra ao Jornal Económico. O Brasil, reconhecido como líder mundial na produção de biocombustíveis, possui uma vasta experiência, tendo evoluído do etanol para combustíveis mais sofisticados ao longo das décadas.
A proposta inclui a criação de um quadro que facilite o investimento privado na construção de infraestruturas para a produção de biocombustíveis em solo português. “Queremos criar condições e contar com o apoio das políticas de ambos os países”, sublinhou Maria da Graça Carvalho. Embora ainda não existam detalhes sobre o valor do investimento, a ministra destacou que as conversações iniciais já ocorreram entre o primeiro-ministro português e o presidente brasileiro, Lula da Silva.
Em Portugal, projetos de combustíveis verdes já atingiram valores na ordem dos dois mil milhões de euros, embora alguns tenham sido cancelados, como os da Navigator e da Prio. No entanto, iniciativas como o projeto HVO da Galp, que visa produzir biocombustíveis na refinaria de Sines, continuam em andamento, com um investimento de 400 milhões de euros, em parceria com a empresa japonesa Mitsui. Além disso, o consórcio luso-neerlandês Madoqua planeia investir mais de mil milhões de euros na produção de metanol verde, com o intuito de descarbonizar a indústria do cimento em Maceira e Pataias.
Os biocombustíveis têm desempenhado um papel crucial na economia brasileira, especialmente durante crises energéticas. O Brasil, que começou a explorar biocombustíveis na década de 70 com o programa Proálcool, tem uma longa tradição na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar e do milho. Apesar de ser um produtor de petróleo, o país ainda importa cerca de um terço do gasóleo que consome, o que o torna vulnerável a choques externos.
A expectativa é que a produção de etanol no Brasil atinja um recorde na colheita de 2026/27, impulsionada pela crescente procura global por biocombustíveis. Contudo, um estudo da Bain/WEF revela que o investimento em combustíveis de baixo carbono, incluindo biocombustíveis, cobre apenas 25% do consumo previsto até 2030, sendo necessário quadruplicar este valor para atender às ambições globais.
O mercado de biocombustíveis enfrenta um ciclo de incerteza, com investidores à espera de sinais claros de procura e estabilidade regulatória. Francisco Sepúlveda, da Bain, alerta que muitos projetos permanecem estagnados devido a custos elevados e riscos financeiros persistentes.
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Fonte: Sapo





