Biomassa: a energia que garante estabilidade à rede elétrica

No contexto da transição energética, a biomassa tem um papel frequentemente subestimado em comparação com as energias solar e eólica. Manuel Pitrez de Barros, diretor-geral das Centrais de Biomassa do Norte, defende que esta fonte renovável é crucial para o sistema elétrico português. Produzindo energia de forma contínua, a biomassa não só valoriza os resíduos florestais, como também gera rendimento nas comunidades locais.

Durante a Semana da Energia, Pitrez de Barros destacou que as centrais de biomassa não competem com as energias solar e eólica, mas sim complementam a rede elétrica. Enquanto o sol não brilha à noite e o vento não sopra, a biomassa assegura uma produção estável de energia, contribuindo para a limpeza das florestas e a redução do risco de incêndios.

A segurança do sistema elétrico português depende de fontes de energia que possam ser acionadas conforme a necessidade. A biomassa oferece essa flexibilidade, sendo uma fonte despachável que pode ser ativada para garantir a estabilidade da rede. Além disso, as centrais de biomassa têm um papel vital em situações de apagão, podendo ajudar a restaurar a rede elétrica.

Cada megawatt-hora gerado a partir de resíduos florestais portugueses reduz a dependência de gás natural importado. Este modelo não só promove a soberania energética, mas também transforma um problema interno – o excesso de combustível nas florestas – numa solução económica que retém riqueza e investimento dentro do país.

A gestão florestal é outra área em que a biomassa se destaca. Em Portugal, onde os incêndios florestais são uma preocupação constante, a limpeza das florestas é uma necessidade estratégica. As centrais de biomassa incentivam os proprietários a limpar as suas matas, transformando a prevenção de incêndios num rendimento em vez de um custo. O abandono das florestas, que resulta na acumulação de combustível, é um fator que contribui para incêndios devastadores.

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Recentemente, o Governo atualizou o regime de remuneração das centrais de biomassa, reconhecendo a sua importância na gestão integrada de fogos rurais. Esta mudança é um sinal positivo, mas Pitrez de Barros alerta para a necessidade de maior agilidade na execução e menos burocracia nos processos de licenciamento. O incentivo tarifário deve ser acompanhado por uma resposta rápida às necessidades do terreno.

A Central de Biomassa do Fundão, por exemplo, valorizou cerca de 150 mil toneladas de biomassa florestal residual, com um impacto significativo na economia local. Mais de 70% da faturação da central permanece na região, gerando postos de trabalho e promovendo a limpeza das florestas. Este modelo de operação cria um escudo de resiliência territorial, evitando incêndios e garantindo que a riqueza gerada pela eletricidade beneficie as comunidades locais.

Por fim, é importante esclarecer que as centrais de biomassa não abatem árvores para a produção de energia. Elas utilizam apenas resíduos florestais, como ramos e sobrantes da exploração madeireira, que, se deixados no terreno, poderiam causar problemas ambientais. A valorização da biomassa florestal residual é um exemplo de economia circular, essencial para a sustentabilidade ambiental.

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Fonte: ECO

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