Trabalhadores da SIC criticam aumento salarial de administradores

A Comissão de Trabalhadores da SIC expressou, esta segunda-feira, o seu descontentamento em relação à proposta de atualização da política de remuneração dos membros da administração e fiscalização do grupo. Esta proposta será votada em Assembleia Geral no dia 26. No comunicado, a comissão afirma que é “inaceitável” que, num momento em que a empresa nega aumentos salariais aos seus colaboradores, surja uma proposta que prevê um aumento significativo das remunerações dos administradores.

Os trabalhadores da SIC destacam que a empresa justifica a recusa de aumentos salariais com alegações de constrangimentos financeiros e a necessidade de contenção. No entanto, a proposta para os administradores sugere uma revisão em alta das suas remunerações, além de um reforço dos mecanismos de remuneração variável e benefícios associados. “Esta opção transmite uma mensagem profundamente errada à organização”, afirmam, sublinhando que existem recursos para valorizar a gestão, mas não para reconhecer o esforço dos trabalhadores.

O comunicado também apela à participação dos colaboradores na greve geral marcada para o dia 3 de junho. A proposta em discussão prevê que o presidente do conselho de administração passe a receber 385.000 euros, com a possibilidade de um pagamento variável que pode multiplicar a remuneração mensal até seis vezes, dependendo do cumprimento de critérios definidos.

Os restantes membros da comissão executiva terão remunerações fixas que variam entre 254.800 e 189.000 euros. É importante notar que o CEO do grupo, que também exerce funções de chairman desde março, lidera um conselho de administração que agora conta com nove membros, após a entrada da MFE.

Francisco Pedro Balsemão, atual presidente, recebeu no último ano uma remuneração fixa de 280.000 euros, além de 60.000 euros em variáveis e cerca de 2.300 euros em subsídios. O total recebido pelo conselho de administração no último ano foi de 669.216 euros, com 609.000 euros correspondentes a remuneração fixa. Com a nova política, as remunerações dos órgãos de administração e fiscalização poderão chegar a 1,2 milhões de euros.

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A comissão executiva da SIC e da Impresa lamentou a falta de diálogo da Comissão de Trabalhadores antes da emissão do comunicado e esclareceu que a proposta de aumento salarial é da responsabilidade da Comissão de Remunerações, um órgão independente. A Impresa assegura que as alterações salariais resultam numa poupança global para a sociedade e que os reajustes estão alinhados com o mercado.

Em fevereiro, os trabalhadores da SIC já tinham solicitado um compromisso para um reajuste salarial, pelo menos em linha com a inflação. A administração, por sua vez, reiterou que a prioridade é garantir a estabilidade da organização e a manutenção dos postos de trabalho. “A SIC e a Impresa continuarão a proceder a atualizações salariais sempre que isso se justifique”, conclui o grupo.

Leia também: Trabalhadores da SIC exigem diálogo sobre aumentos salariais.

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Fonte: ECO

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