Consignação de IRS: Associações pedem mais transparência e dados

Nos últimos tempos, as campanhas para a consignação de IRS têm proliferado em várias plataformas, desde redes sociais a anúncios em televisão. Este mecanismo permite que os contribuintes direcionem uma parte do seu imposto para causas sociais, mas a falta de informação sobre os resultados tem gerado preocupações entre as associações que dependem deste apoio. O ECO contactou várias entidades para entender melhor como funciona a consignação de IRS e o impacto que tem nas suas atividades.

Recentemente, algumas associações revelaram que, pela primeira vez, as Finanças estão a disponibilizar informações sobre o número de contribuintes que consignaram a seu favor. No entanto, não há garantias de que esta prática se mantenha nos próximos anos. As organizações apelam por mais dados e comunicação sobre quanto podem contar com as consignações no Modelo 3.

A VilacomVida, que promove a inclusão através do Café Joyeux, recebeu 66.500 euros da consignação de IRS em 2025, referente ao ano anterior. Este valor representa um aumento de 30% em relação a anos anteriores, à medida que mais contribuintes reconhecem o impacto da sua doação. A presidente da associação, Filipa Pinto Coelho, destaca que a comunicação eficaz é fundamental para que as pessoas compreendam a importância da consignação de IRS.

A Casa do Artista, por sua vez, obteve cerca de 125 mil euros através da consignação, o que representa 5,2% do seu orçamento anual. Este montante permitiu a substituição de equipamentos essenciais e a continuidade dos seus programas de apoio à comunidade artística. A direção da APOIARTE sugere a criação de um portal online onde as instituições possam acompanhar em tempo real os donativos recebidos, aumentando a transparência e a confiança dos contribuintes.

A Cãosigo, que promove atividades com animais, conseguiu 27 mil euros, representando 40% das suas receitas. Este valor permitiu a realização de projetos educativos gratuitos para crianças e idosos. A administradora Margarida Fonseca defende a divulgação dos valores atribuídos a cada entidade, para evitar situações de falta de clareza.

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A Make-A-Wish Portugal, que realiza sonhos de crianças com doenças graves, obteve 550 mil euros através da consignação de IRS, permitindo financiar cerca de metade dos desejos anuais. A CEO, Margarida Galvão, sublinha que muitos contribuintes ainda não consignam, o que representa uma oportunidade perdida para apoiar causas importantes. Ela sugere que o processo de consignação seja mais visível e que os contribuintes sejam incentivados a tomar decisões conscientes sobre onde alocar o seu imposto.

As associações concordam que a falta de comunicação por parte do Estado é um obstáculo. A criação de um sistema que permita às entidades acompanhar as consignações em tempo real seria um passo importante para melhorar a gestão das suas expectativas financeiras.

Em suma, a consignação de IRS é uma ferramenta valiosa para o financiamento de causas sociais, mas a falta de transparência e informação pode limitar o seu potencial. As associações pedem uma maior clareza na comunicação e um sistema que permita acompanhar os donativos, para que possam planear melhor as suas atividades.

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Fonte: ECO

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