Portugal está a traçar um caminho no setor dos combustíveis verdes, focando-se na descarbonização do transporte marítimo. Este sector, embora responsável por apenas 3% das emissões globais de carbono, enfrenta um desafio significativo na redução da sua pegada ambiental. Nuno Antunes dos Santos, vice-presidente da Lisnave, sublinha que o transporte marítimo é um dos mais limpos, mas a transição para combustíveis mais sustentáveis é essencial para atingir a meta de neutralidade carbónica até 2050.
Atualmente, o transporte marítimo utiliza grandes porta-contentores, que podem consumir até 200 toneladas de fuelóleo por dia, emitindo mais de 600 toneladas de dióxido de carbono. Apesar das novas regulamentações da Organização Marítima Mundial, a mudança para combustíveis verdes ainda é limitada. Ruben Eiras, secretário-geral do Forum Oceano, destaca que, embora a transição tenha começado, é crucial aumentar a escala e a confiança nas novas tecnologias.
Os biocombustíveis, metanol verde e amónia verde surgem como soluções promissoras. Estas opções podem ser integradas nas embarcações existentes, permitindo uma redução imediata das emissões. Contudo, Eiras alerta para os desafios que estas tecnologias ainda enfrentam, como custos e infraestrutura. A propulsão assistida pelo vento também se destaca como uma alternativa viável, contribuindo para a eficiência energética dos navios.
A descarbonização do transporte marítimo não pode depender de uma única solução. É necessário um mix de combustíveis e tecnologias, como afirmam os especialistas do setor. Telmo Ferreira, da PRIO, acredita que o futuro será um mercado multifuel, onde os biocombustíveis se destacam pela sua maturidade e aplicabilidade imediata. A adaptabilidade dos navios a diferentes soluções será fundamental para o sucesso desta transição.
No que diz respeito à inovação, empresas como a Mystic Invest Holding têm liderado a adoção de práticas sustentáveis, ligando navios à energia de terra e utilizando combustíveis alternativos. A Tecnoveritas também se destaca, tendo desenvolvido um sistema que reduz as emissões de navios existentes em até 50%.
A descarbonização do transporte marítimo é um desafio complexo, mas Portugal tem a oportunidade de se posicionar como um líder na implementação de combustíveis verdes. O futuro do setor depende da colaboração entre diferentes tecnologias e soluções, que devem evoluir em conjunto para garantir um impacto ambiental positivo.
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Fonte: Sapo





