O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, fez um apelo contundente por “comportamentos irrepreensíveis” em termos éticos, morais e legais por parte de todos os que ocupam cargos de responsabilidade no partido. Esta declaração surge no contexto da operação ‘Imergente’ da Polícia Judiciária, que investiga a adjudicação de contratos por autarquias e juntas de freguesia, levantando suspeitas de crimes económico-financeiros.
Durante uma visita à Festa da Cereja, em Resende, no distrito de Viseu, Carneiro expressou a sua tristeza pela situação, sublinhando que os membros do PS representam uma vasta comunidade de quase 100 mil militantes e muitos simpatizantes em todo o país. “É crucial que todos tenham consciência de que, ao desempenharem funções em nome do PS, estão a representar uma massa humana significativa”, afirmou.
A operação ‘Imergente’ tem como foco a investigação de adjudicações de contratos no valor global de dois milhões de euros, conforme indicado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional de Lisboa. Até ao momento, quatro arguidos foram constituídos, tendo sido ouvidos por um juiz e libertados com a medida de coação de Termo de Identidade e Residência (TIR). Os arguidos estão proibidos de contactar outros envolvidos no processo, bem como titulares de cargos políticos nas autarquias relacionadas.
Carneiro enfatizou que a ética no PS deve ser uma prioridade, afirmando que “a legalidade nem sempre é compatível com a ética”. Para ele, a ética é ainda mais exigente do que a legalidade, e é fundamental que o PS, como partido da República, mantenha altos padrões éticos. O secretário-geral anunciou que o partido irá avançar com um conjunto de medidas, incluindo a criação de um código de ética e uma comissão responsável pela sua aplicação a todos os que exercem funções no PS.
Reconhecendo que as notícias sobre a operação ‘Imergente’ podem fragilizar a imagem do PS, Carneiro sublinhou que todos os que representam o partido têm responsabilidades éticas acrescidas. “A criação de uma comissão ética deve integrar os estatutos do PS, exigindo uma revisão estatutária que promova a transparência e a prestação de contas”, concluiu.
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Fonte: Sapo





